sábado, 21 de fevereiro de 2009

Os soldados da Borracha na Amazônia

Prof. Leonardo Castro

Em meados do século XIX, a economia tradicional, baseada nas “drogas do sertão” privilegiou uma delas, a borracha. Com efeito, à época, a Amazônia era o único fornecedor mundial da borracha.

Durante esse período, foi utilizado para o trabalho da exploração da borracha a mão-de-obra indígena. Contudo, foram os trabalhadores nordestinos que sustentaram a força de trabalho da borracha.




Trabalhadores nordestinos em Fordlândia.



Entretanto, na Ásia passou-se a plantar a hévea e a se produzir a borracha nas colônias Inglesas e Holandesas o que gerou a queda da exportação da borracha da região amazônica no início do século XX.




Novas tentativas da exploração da Borracha: Fordlândia e Belterra



Na região amazônica, houve duas novas tentativas para se produzir, de novo, o látex em grande quantidade. Entre 1934 e 1945 houve uma tentativa da Companhia Ford, uma empresa norte-americana.

Os Estados Unidos era o maior produtor mundial de carros. A borracha cultivada respondia a demanda para fabricar pneus. Mas 90% desta produção dependiam das colônias européias da Ásia.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os países da Ásia com plantações da hévea foram ocupados pelo exército do Japão que, nessa conflagração, era inimigo dos Estados Unidos. O EUA ficaram com dificuldades em obter borracha para a produção de pneus e outros produtos. Desta forma, os EUA firmou um acordo com o governo brasileiro para a produção da borracha. Houve a criação do Banco de Crédito da Borracha para ajudar no financiamento e nas negociações da produção da borracha.

Nesta época, a Companhia Ford, grande indústria de automóveis, que utilizava um quarto da borracha produzida no mundo, teve a idéia de produzir, ela mesma, a borracha necessária para os pneus de seus automóveis. Henry Ford escolheu a Amazônia para fazer suas plantações de hévea. Importou da Ásia mudas da planta e plantou-as em Fordlândia, ao sul de Santarém.





As casas em estilo americano em Fordlândia.



Um grande capital foi investido em Fordlândia, até uma grande serraria, naquele tempo a maior de toda a América do Sul, foi construída para aproveitar as árvores da floresta.





A Serraria foi fabricada em Michigan, EUA, e montada no Brasil, em Fordlândia.




A serraria em 2003.



Na época 32.000 nordestinos foram trazidos para trabalhar na Amazônia na coleta do látex para a produção da Borracha em Fordlândia. Eram os Soldados da Borracha. Estes trabalhadores nordestinos que vieram para trabalhar na Amazônia viviam em condições precárias, com péssimas condições de vida e trabalho, sofrendo de doenças que levaram muitos a morte.

Além disto, ocorreu em 1932 a aparição do fungo Dothidella ulei nas árvores plantadas em Fordlândia, era o “mal das folhas”, que acabava por matar a seringueira e prejudicava a produção.

Tudo isto acabou por levar ao fracasso o projeto de produção de borracha em Fordlândia.

Em 1935, foi aberta também uma nova plantação em Belterra, a sudeste de Santarém, como campo de experimentação. Contudo, a plantação em Belterra encerrou suas atividades em 1945 quando os Estados Unidos recuperaram sua produção de Borracha na Ásia.

Assim, com o fim da Segunda Guerra Mundial e a nova concorrência da borracha asiática, a exploração da borracha amazônica voltou a entrar em decadência.

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