segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Economia da Borracha no Pará

Prof Leonardo Castro

No fim da década de 1840-1850, a população do Pará estava ainda sofrendo os efeitos da Cabanagem e da repressão anticabana. O período que segue é caracterizado pelo ciclo da borracha: a antiga “droga do sertão” se tornou a matéria-prima da nova industria automobilística. A Amazônia era, então, a única região produtora de borracha no mundo. O período de exploração da borracha na região amazônica pode ser dividida em cinco fases:

1) No começo da produção da borracha a atividade estava entregue a aventureiros desorganizados e escravizadores de índios, a produtividade não chegava a 90 quilos por homem ao ano, ou seja, 1/3 da produção do século XX. Durante a fase de elevação inicial moderada, de 1830 a 1850, a produção ocorria em um mundo selvagem e atrasado em que a maior parte da mão-de-obra era de índios e tapuios.

2) A fase de melhoria do tirocínio (aprendizado ou exercício), permitiu um desenvolvimento acelerado da produtividade, de 1850 a 1870; algumas técnicas novas foram empregadas; havia certas divisões de tarefas operacionais; o emprego da navegação a vapor, que permitiu a descoberta de seringais virgens; este momento permitia uma produção de uns 200 quilos por seringueiro ao ano.

3) A “fase de adestramento nordestino”, de 1870 a 1890, com modesta elevação; ocorreu um grande contingente de imigrações originários do Nordeste, no entanto, tornava-se necessário uma nova aprendizagem pois os nordestinos não tinham experiências com a floresta amazônica.

4) A fase acreana, de 1890 a 1910; o aproveitamento em larga escala dos seringais do Acre impulsionou a produção, permitindo uma produção que subiu de 210 para 230 quilos média por homem.

5) No período mais recente, por ocasião da Segunda Guerra Mundial e nas décadas seguintes, a melhoria das condições de saúde, e a assistência governamental via Banco da Borracha, mais tarde a SUDHEVA, etc., permitiu que a produtividade se desenvolvesse mais que no passado.



A borracha

A Borracha é uma substância natural ou sintética que se caracteriza por sua elasticidade, repelência à água e resistência elétrica. A borracha natural é obtida de um líquido leitoso de cor branca chamado látex, encontrado em numerosas plantas. A borracha sintética é preparada a partir de hidrocarbonetos insaturados. Uma das árvores produtoras de borracha é a seringueira Hevea brasiliensis, da família das Euforbiáceas, originária do Amazonas. Outra planta produtora é a árvore-de-goma, Castilloa elastica, originária do México.



A seringueira ou Hevea brasiliensis




A borracha bruta é branca ou incolor. Através de um corte inicial e da remoção seletiva da casca, uma seringueira produz em média 1,8 kg de borracha bruta anualmente.



Em estado natural, a borracha bruta é um hidrocarboneto branco ou incolor. À temperatura do ar líquido, cerca de 195 ºC, a borracha pura é um sólido duro e transparente. De 0 a 10 ºC, é frágil e opaca e, acima de 20 ºC, torna-se mole, flexível e translúcida. Ao ser amassada mecanicamente ou aquecida em temperatura acima dos 50 ºC, a borracha adquire uma textura de plástico pegajosa. A borracha pura é insolúvel em água, álcali ou ácidos fracos e solúvel em benzeno, petróleo, hidrocarbonetos clorados e dissulfureto de carbono. Na fabricação atual de artigos de borracha natural, esta é tratada em máquinas com outras substâncias. A mistura é processada mecanicamente sobre uma base ou moldada, sendo logo colocada em moldes para posterior vulcanização.



A descoberta dos europeus da borracha (séc. XVIII)


Quando os portugueses descobriram a borracha, chamaram-na assim porque o produto permitia apagar a tinta no papel em que se havia escrito. Os portugueses do Pará aprenderam com os omáguas (tribo do Médio Amazonas) a fazer com essa substância umas bolas de seringa. Logo, a palavra seringa serviu para designar a própria árvore, como se pode perceber no relato do viajante português Alexandre Rodrigues Ferreira, em 1783:

A seringueira, nome comum de cerca de 10 espécies de um gênero de árvores produtoras de látex, nativas da Amazônia. É a célebre “árvore da borracha”. A espécie mais explorada, por dar o látex de melhor qualidade, distribui-se de forma espontânea por toda a região compreendida entre a bacia do rio Ucaiali e o Xingu, ao sul, e o estuário do rio Amazonas ao norte. Mede entre 20 e 30 m de altura, podendo chegar a 50 metros.




Do uso artesanal até a grande industria

Sérios problemas técnicos existiam, dificultando uma boa utilização da borracha: ela se tornava pegajosa com o calor da região e ficava dura nos países com estação fria. A solução foi a invenção da vulcanização, um processo que torna elástica, resistente, insolúvel, a borracha natural. Tal descoberta foi feita por Goodyear, nos Estados Unidos, em 1839. A vulcanização é um processo pelo qual a borracha, cozida com enxofre, perde suas propriedades não desejáveis (pegajosidade).



Logomarca da Companhia de Pneus Goodyear, fundada em 1898 por Frank Seiberling. O nome da fabrica foi em homenagem de Charles Goodyear. Goodyear inventou a vulcanização em 1839.






Em 1898, fabrica da Goodyear em Akron, Ohio, EUA. Foto da Biblioteca do Congresso Americano, EUA.





Pneu Goodyear, hoje.

Comparada com a borracha vulcanizada, a não tratada apresenta muito poucas aplicações. É usada em cimentos, fitas isolantes, fitas adesivas e como isolante para mantas e sapatos. A borracha vulcanizada é empregada nas correias transportadoras, para fabricar mangueiras, pneus e rolos para uma ampla variedade de máquinas, para fabricar roupa impermeável, em materiais isolantes e em muitas outras aplicações. É possível chamar borracha sintética a toda substância elaborada artificialmente que se pareça com a borracha natural. Obtém-se por reações químicas, conhecidas como condensação ou polimerização, a partir de determinados hidrocarbonetos insaturados. Produzem-se vários tipos de borracha sintética: neoprene, buna, borracha fria e outras borrachas especiais.


Com a vulcanização, a demanda do novo produto se intensificou. Por exemplo, a Grã-Bretanha importou 200 quilos de borracha em 1830, 10.000, em 1857 e 58.000, em 1874. Mas o salto decisivo foi com a invenção da roda pneumática. O inventor foi Dunlop, que aplicou à bicicleta de seu filho, em 1888. A invenção e a produção do automóvel com o emprego de rodas pneumáticas tornaram, definitivamente, a industria contemporânea dependente da borracha. O pessoal empregado na industria da borracha nos Estados Unidos passou de 2.600, em 1850, para 50.000, em 1910.





Da “droga do sertão” à borracha industrial: o Pará é transformado.


Precedida de um conhecimento científico que se desenvolvia desde 1736, a descoberta da vulcanização da borracha nos Estados Unidos e Inglaterra, cerca de um século após, criara novas oportunidades para a combalida economia da Amazônia. A procura externa do produto foi um fator para suscitar uma atmosfera propicia para os negócios regionais, justificando a importação de tecnologia então moderna. A oferta regional, de início limitada a artigos rudimentares de borracha, expandiu-se até 1875, fazendo forte apelo a uma organização produtiva escravista, da qual o índio foi primeiro e principal sustentáculo. No entanto, a nova atividade necessitava de muitos braços o que gerou grande mobilidade intra-setorial e espacial da população ativa. De 1825 a 1850, a produção comercial de borracha restringia-se principalmente a Belém e às ilhas, mas logo se expandira até o Xingu e o Tapajós, no Pará. Entre 1850 e 1870, as imigrações transpõe a fronteira do Amazonas e se dirigem aos seringais dos rios Madeira e Purus. É nesse período que a população da Província do Amazonas começa a ter expressão maior. Ao aproximar-se o fim da década de setenta, o problema da escassez de mão-de-obra assumiu feição mais grave. A borracha destronara o cacau.

Desta forma, em meados do século XIX, a economia tradicional, baseada nas “drogas do sertão” privilegiou uma delas, a borracha. Com efeito, à época, a Amazônia era o único fornecedor mundial da borracha; em conseqüência, ela se beneficiou do aumento da demanda estrangeira. A partir de 1857, a borracha tornou-se o produto mais exportado (mais de 30% do total). Seis anos depois, já ultrapassava com mais de 43% das exportações. O aumento da produção foi cada vez mais rápido e se estendeu do Pará ao resto da Amazônia, a partir de 1890. A partir dos anos 80, o Pará, primeiro, a Amazônia toda, em seguida, entram no período de auge da produção da borracha, crescendo até a década de 1900-1910. A produção passa de 8.500 ton., em 1880, para mais de 40.000 ton., em 1910.

Havia um aspecto original e único, também: uma grande industria, a industria automobilística, começou a se desenvolver a partir de um produto (látex) extraído da mata amazônica, graças ao trabalho manual do seringueiro, seguindo a experiência dos índios.


O seringueiro era (e é) um homem que trabalha na mata, vivendo da extração do látex da seringa (ou seringueira) trabalhando diariamente na “estrada”, usando como principais instrumentos o facão do mato ou machadinha, o terçado, a tigelinha e um balde (para até 6 ou 10 litros de látex).



Seringueiro da Amazônia extrai o látex da Hevea brasiliensis, a mais explorada das 10 espécies de seringueira.




Após sangrar a árvore, o seringueiro coloca a tigelinha, que deve receber o látex, escorrendo das incisões feitas. Uma árvore suporta em média 4 tigelinhas. Volta mais tarde para recolhê-las. Então entrega-se a defumação do látex. Despeja o leite numa bacia, acende o fogo, empregando a madeira resinosa de que dispõe, o que provoca a fumaça necessária e apropriada à coagulação do látex na forma comercial. O seringueiro derrama um pouco do látex na extremidade de um pau chato, com a forma de espátula. O pau é virado com as mãos, devagar, na fumaça e o látex se coagula pela ação do ácido carbônico contido na fumaça. Depois de feitas grandes bolas de borracha, o pau é suspenso a um gancho, ou girado em barras paralelas, em quanto elas são colocadas de modo a permitir a ação de rolar para diante e para trás, na fumaça. As bolas feitas por esse modo variam de 5 e 10 kg (cada bola).



Ferramentas do seringueiro - a) facão ou machadinha, b) terçado, c) tigelinha, d) balde.



Seringueiro incisando.




A coagulação do látex.









O Sistema de Aviamento



O seringueiro não era um trabalhador assalariado. Embora não tendo um patrão, como um assalariado, o seringueiro era dependente do dono do barracão (o aviador). Vendia sua produção para ele; comprava dele o que precisava para viver no meio da mata.






Seringueiro no barracao com as bolas de borracha.


Inicialmente foi utilizado para o trabalho da exploração da borracha a mão-de-obra indígena, os brancos tentaram engajar índios de algumas tribos na produção. Contudo, foram os trabalhadores nordestinos que sustentaram a força de trabalho da borracha. Nascidos no meio dos sertões secos, a chegada no mundo amazônico foi um grande desafio. Os trabalhadores nordestinos desconheciam as técnicas de trabalho, os segredos da mata, ele é um estranho ao meio físico e ao meio sócio-econômico da região. Nos primeiros momentos do uso da mão-de-obra de nordestinos cometeu-se diversos erros e grandes imprudências na exploração da borracha. Desta forma, os trabalhadores nordestinos tiveram que ser adestrados para a nova função. No final do século XIX, os nordestinos constituíam quase que a totalidade dos seringueiros na região amazônica.

A extração do látex para a borracha se fazia no seringal, parte da mata com muitas seringueiras. Antes de poder extrair o látex, o mateiro devia descobrir e delimitar um seringal dentro da mata. Depois abriam-se as “estradas” de seringa. A produção da borracha dependia de uma rede de comercialização.


O seringueiro dependia do aviador do barracão, aquele que “aviava”. Mas, o aviador, dependia também do seringueiro, da sua entrega esperada da borracha. Desta forma, os dois eram ligados mutuamente. No entanto, nas relações entre aviador e seringueiro não havia igualdade: o segundo dependia, até para a manutenção de sua vida, do primeiro, vivendo isolado no seringal. O aviador aproveitava-se dessa situação, impondo os preços dos produtos, consumidos pelos seringueiros, que vinham de Belém. Em Belém, meia dúzia de grandes firmas estrangeiras, com matrizes na Inglaterra, Alemanha e nos Estados Unidos, reuniam toda a produção regional, monopolizando a comercialização da borracha. Assim era o sistema de “aviamento”: o seringueiro era “aviado” pelo barracão; o barracão era “aviado” por casas exportadoras; as casas exportadoras eram financiadas por bancos estrangeiros.







Barracao de um aviador a beira do rio no Pará.



A decadência do ciclo da borracha

Uma mudança ocorreu na produção da borracha e que veio a modificar a produção paraense. Na Ásia passou-se a plantar a hévea e a se produzir a borracha. Ao invés de ser extrair o látex de árvores que crescem espontaneamente, como se faz dentro da mata, na Ásia planta-se a hévea em locais determinados. Era a heveicultura, o plantio da hévea. Essa nova produção foi lançada pelos ingleses em suas colônias da Ásia, onde o clima é semelhante ao clima tropical úmido da Amazônia. Em 1876, o botânico inglês Wickman transportou, às escondidas, sementes de hévea da Amazônia para Londres. Pouco depois, 7. 000 mudas de hévea foram transportadas para o Ceilão no sul da Índia. Na década de 1890, já se tinha certeza de que a hévea havia se adaptado ao meio natural da Ásia. Em 1900, as plantações se estendiam às colônias inglesas (Ceilão, Malásia e Birmânia) e holandesas (Indonésia). Os resultados foram espetaculares: 3 ton. de borracha, em 1900 e 16.000, em 1910. Foi um sucesso agronômico e econômico, depois de 25 anos dedicados à pesquisa experimental.

Além disto, ocorreu a aparição de fungos nas árvores plantadas na Amazônia, assim como nas plantações das Guianas – era o “mal das folhas”. No Brasil os pesquisadores não se interessaram muito pelo combate do fungo, somente o botânico Jacques Huber, diretor do Museu Emilio Goeldi, pesquisou sobre a questão. Desta forma, após o botânico falecer, a problema do fungo, inexistente na Ásia, permaneceu na região amazônica.


O efeito do "mal das folhas".



Também o preço mundial da borracha caiu brutalmente, a partir do mês de maio de 1910, pela entrada da produção asiática, suprindo a demanda. Este fato acabou sendo o começo da decadência da produção da borracha. Como conseqüência, as importações da região diminuíram em até 50%: não havia mais dinheiro para importar. E a queda dos impostos (sobre as exportações) impediram que o governo terminasse obras públicas que beneficiariam a economia. A crise afetou todos os setores da economia da borracha: no “centro” do seringal, onde o seringueiro desenvolvia suas atividades; na “beira”, onde o seringalista fazia seus negócios; no rio, onde o barqueiro transportava borracha e alimentos e, na cidade, pequena ou grande, onde o aviador e o exportador faziam as suas transações.




Borracha: novas tentativas

Na região amazônica, houve duas novas tentativas para se produzir, de novo, o látex em quantidade, pelo cultivo e pela coleta silvestre. Entre 1934 e 1945 houve uma tentativa da Companhia Ford. A economia dos Estados Unidos era muito dinâmica nos anos 20: o número de carros em circulação aumentou significativamente entre 1920 e 1930. O país era o maior produtor mundial de carros. A borracha cultivada respondia a demanda para fabricar pneumáticos. Mas 90% desta produção dependiam das colônias européias da Ásia. A Companhia Ford, que utilizava um quarto da borracha produzida no mundo, teve a idéia de produzir, ela mesma, a borracha necessária para suas usinas. Henry Ford escolheu o Brasil, que dava vantagens aos que queriam fazer plantações de hévea. Importou da Ásia mudas da planta e, em 1934, plantou-as em Fordlândia, ao sul de Santarém. A doença das folhas manifestou-se logo. Em 1935, foi aberta uma nova plantação (em Belterra), a sudeste de Santarém, como campo de experimentação. Contudo, depois de 10 anos a demanda não foi suficiente, assim, a plantação encerrou suas atividades em 1945.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os países da Ásia com plantações da hévea foram ocupados pelo exército do Japão que, nessa conflagração, era inimigo dos Estados Unidos. O EUA ficaram com dificuldades em obter borracha para a produção de pneus e outros produtos. Desta forma, o governo deste país, firmou um acordo com o governo brasileiro para a produção da borracha. Houve ajuda financeira com a criação do Banco de Crédito da Borracha. Na época 32.000 nordestinos foram trazidos para trabalhar na Amazônia. No entanto, os resultados não foram os esperados. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a nova concorrência da borracha sintética, a exportação da borracha amazônica voltou a entrar em decadência.




Agricultura X Extrativismo

O desenvolvimento da agricultura na Amazônia foi comumente associado ao início de um processo civilizador da região. Neste sentido, a formação do território amazônico a partir da fixação da população em áreas nas quais praticassem a atividade agrícola foi vista por muitos pensadores, políticos e pessoas influentes da região amazônica como uma promessa de transformação econômica e social a qual transformaria a Amazônia de um deserto em um “celeiro do mundo”. Contudo, neste contexto, muitos membros ilustres pertencentes às principais capitais da região amazônica são unânimes em responsabilizar a valorização da borracha pelo extermínio das atividades agrícolas na Amazônia. Nesta discussão surge a problemática do conflito existente entre agricultura x extração. Esta problemática encontra seu momento máximo exatamente no período que corresponde ao surgimento da borracha como um dos principais produtos na pauta da exportação das províncias do extremo-norte (entre as décadas de 1850 e início da década de 1860).

A discussão sobre a problemática agricultura x extração esclarece muito sobre as próprias ações políticas e econômicas das elites da região amazônica em relação ao desenvolvimento regional. De fato, a busca pelo estabelecimento de uma política de colonização agrícola na região amazônica estava intimamente ligada a revitalização da agricultura regional na medida em que a valorização da borracha vai sendo vista como a responsável por um progressivo escasseamento de gêneros agrícolas, em especial os alimentícios, os quais passaram a ser obtidos principalmente através da importação de outras regiões, a preços mais elevados.


Desta forma, percebemos como as discussões críticas sobre a economia gomífera era orientada no sentido de se pensar a atividade extrativa da borracha como promotora e intensificadora dos problemas sócio-econômicos da região. É neste contexto que surge o ideal do estabelecimento de uma política de colonização agrícola, especialmente implantada a partir da imigração européia, com a finalidade de amenizar na Província, segundo muitos paraenses acreditavam, seus problemas crônicos, principalmente a escassez de produtos alimentícios e de mão-de-obra, assim como seria também um elemento fundamental para dar origem a uma forma mais duradoura de desenvolvimento regional. Contudo, os projetos de colonização agrícola não seriam bem-sucedidos senão contasse como apoio do governo central; isto surgia como um grande obstáculo para o desenvolvimento agrícola da região pois a Corte demonstrava muito mais interesse em financiar assentamentos de imigrantes no Extremo-Sul do Brasil.

É exatamente sob esse contexto que surge a idéia da formação da Amazônia como “celeiro do mundo”. Percebemos como desde o governo de Lauro Sodré há toda uma preocupação pelo fato de a Amazônia ter se tornando cada vez mais dependente do negócio da extração da borracha para sua sobrevivência econômica e o seu desenvolvimento social. Neste sentido, basicamente se pensava em se estabelecer uma colonização agrícola, baseada na pequena propriedade e na imigração de estrangeiros (os quais teriam supostamente uma maior qualificação profissional). De fato, a inspiração para tal projeto já vinha da Lei n.º 601, de 18-09-1850 (conhecida como a “lei de terras”).


Contudo, foi durante o governo de Paes de Carvalho (1897-1901) em que houve um maior apoio às políticas de colonização e povoamento na região amazônica, especialmente o Pará no qual houveram patrocínios destinados a transformar algumas regiões em um verdadeiro “celeiro do mundo”. Neste sentido, a região litorânea e a Bragantina, quase que desabitadas antes dos projetos de colonização, tornaram-se um dos maiores centros populacionais da Amazônia. Além disto, em 1897, Vigia e Bragança, eram os dois municípios mais populosos do Pará.



Referência Bibliográfica

DEAN, Warren. A luta pela borracha no Brasil. São Paulo: Nobel, 1989.

PROST, Gérard. História do Pará: do período da borracha aos dias atuais. Volume II. Belém: Secretaria de Estado de Educação, 1998.

REIS, Artur C. Ferreira. O seringal e o seringueiro. Rio de Janeiro: Serviço de Informação Agric. 1953.

SANTOS, Roberto. História Econômica da Amazônia (1800-1920). São Paulo: T. A. Queiroz, 1980.

WEINSTEIN, Bárbara. A borracha na Amazônia: expansão e decadência (1850-1920). São Paulo: HUCITEC, 1993.

10 comentários:

  1. muito bom
    porém fala pouco sobre a economia da borracha...

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  2. Muito bom, interessante e importante. Mas não fala das plantações de borracha da Pirelli em Marituba e da Goodyear em São Francisco de Pará.

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  3. e o conteúdo e bom mais não fala das mudanças que foram feitas em Belém e Manaus no período de desenvolvimento da borracha

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  4. uhu cara e muito bom fez eu tira nota maxima no meu trabalho :D

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  5. muito bom me ajudou no trabalho que eu precisava

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  6. boa apresentação, porém faltou explanar sobre a influência europeia na modernização urbana e social das cidade de Belém e Manaus, faltou falar das influências internacionais que propiciaram os investimentos regionais e internacionais na Amazônia e o interesses de certa parte de grupos políticos, e rinipalmente qual foi o discurso incrementou a mão-de-obra nordestina na exploração da borracha.

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  7. Vale ressaltar que estas lacunas sugeridas pelos que comentaram aqui são preenchidas pelas outras temáticas nos links ao lado.

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