sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fundação de Belém: exploradores, índios, jesuitas..

Prof. Leonardo Castro



Quem primeiro navegou no Rio Amazonas foi o navegante e descobridor espanhol Vicente Yañez Pinzón (1461?-1514), em dezembro de 1499, partiu de Palos, à frente de quatro caravelas, com a finalidade precípua de descobrir terras e exercer a posse em nome da coroa espanhola. A 20 ou 26 de janeiro seguinte – portanto antes de Pedro Álvares Cabral ter descoberto para Portugal o Brasil. Costeando a região, Pinzón e os seus foram dar na foz do Rio Amazonas, que recebeu na época o nome de Santa Maria de la Mar Dulce.

Em 1541, o navegante e descobridor espanhol Francisco de Orellana (c. 1511-1546), a mando do conquistador espanhol Gonçalo Pizarro (c. 1502-1548) e à frente de 400 espanhóis e de 4.000 índios, partiu de Quito para explorar as terras do El dorado y la canela. A 24 de agosto de 1542, chegava Orellana à embocadura do Amazonas, sendo, portanto, o primeiro a navegar, na realidade, toda a extenção daquele curso d’água. Na viagem, relatada por frei Gaspar de Carvajal e pelo jesuíta Alonso de Rojas, é que teria ocorrido o lendário e fantasioso encontro com as amazonas, na foz do Nhamundá, o qual originou o nome do grande rio.

Houve outras expedições, ainda comandadas por espanhóis. Dessas, a mais importante foi a de Pedro de Úrsua, enviado, em 1560, pelo vice-rei do Peru, André Hurtado de Mendonça, para proceder a uma grande exploração. Contudo, desencadeou-se um motim, comandado por Lopo de Aguirre. Pedro de Úrsua foi assassinado. Em dezembro de 1561, o que restava da expedição chegou à foz do Amazonas.

Não eram, porém, apenas os espanhóis: também ingleses, holandeses e franceses, principalmente estes últimos faziam incursões em terras hoje pertencentes à Amazônia. No Pará, antes da fundação de Belém pelos portugueses, chegaram até a fundar uma aldeia em Caeté (hoje Bragança), além de dominarem completamente o Maranhão. Mas os portugueses, depois de muitas lutas, conquistaram as terras maranhenses. E partiram para a nova etapa: a conquista do Grão-Pará.





A conquista do Pará

Na época da conquista do Pará, Espanha e Portugal formavam a União Ibérica (desde 1580). Para o Brasil, naquela fase de expansão territorial, a união peninsular foi benéfica, pois Portugal e Espanha, transformadas em uma só nação, veio a tornar sem efeito o Tratado de Tordesilhas, facilitando, desse modo, a penetração interiorana.






A conquista do Norte foi determinada pelo rei de Espanha e Portugal. Visava, inicialmente, desalojar, do Maranhão, os franceses que ali haviam criado a França Equinocial. E em 1614, Jerônimo de Albuquerque segui à frente da tropa, para cumprir aquela missão. Em 1615, já com Alexandre de Moura liderando as tropas lusas, houve a capitulação definitiva. Após a vitória, Moura nomeou Albuquerque governador do Maranhão e encarregou o militar e explorador português Francisco Caldeira de Castelo Branco (-1619) de conquistar o Pará.

A 25 de dezembro de 1615 a expedição partiu da baía de São Marcos, composta do patacho Santa Maria da Candelária, do caravelão Santa Maria das Graças e da lancha grande Assunção. Compunha-se de 150 homens, 10 peças de artilharia, pólvora e muita munição e mantimentos. O piloto-mor era Antônio Vicente Cochado, o francês Charies servindo de guia. As três embarcações eram comandadas por Pedro de Freitas, Antônio da Fonseca e Álvaro Neto. A viagem sem incidentes durou 18 dias. E a 12 de janeiro de 1616 os portugueses aportaram na baía de Guajará, chamada pelos nativos de Paraná-Guaçu.




Fundação de Belém, obra de Theodoro Braga, 1908, Museu de Arte de Belém (MAB). Na imagem a chegada dos portugueses em suas embarcações, os índios Tupinambá observam a chegada às margens da baía do Guajará (à direita, abaixo) e a construção do Forte do Presépio pelos portugueses (à esuqerda).




Texto e Contexto


O capitão André Pereira, que participou da expedição que fundou o Forte do Presépio na cidade de Belém em 1616, dá notícia desse sucesso ao Rei de Espanha.

“Primeiramente depois que ò capitaom maior, Alexandre de Moura deu fin no Maranhaom à ò enemigo como fez, è tendo à terra pacifica, è povoadas as fortalezas como lhe pareceo necessario, pos por obra mandar fazer este novo descobrimento do grande Rio das Amazonas, è pera tambem se saver ò que avia no Cavo do Norte, conforme à ordem que pera isso levava do Governador Geral do Brasil Gaspar de Souza; è asi mandou 150 homens em tres companhias, è por capitaom mor dellas à Francisco Caldeira de castel branco em tres embarcazoens. Partimos para esta jornada dia de Natal pasado, em que deu principio à esta era de 1616.”

“chegando no sitio à onde fizemos fortaleza por el Rey nosso senhor, que será 35 leguoas pello Rio asima pera ò Sul, por parecer elle à ò capitaom mor bom sitio.”

“Há neste Rio em todas as partes delle muito Gentio por extremo de diversas nazoens, ò mais delle mui bem encarado sem barba, trazem os homens cabello comprido como molheres, è de mui perto ò parecem de que pode ser nasceria o emgano que dizem das Amazonas; pois naom há outra cousa de que à este proposito se pudesse deitar maom.”
(PEREIRA, André. A “Relazoam do que há no grande rio das Amazonas novamente descuberto” do Capitão André Pereira (16160). In: PAPAVERO, Nelson et. al. O Novo Éden... Belém: Museu Paraense Emilio Goeldi, 2002. 2ª ed.p. 111.)




À nova conquista, Castelo Branco, dando vazão a seu amor por Portugal, deu o nome de Feliz Lusitânea. O engenheiro-mor Francisco Frias Mesquita iniciou a construção da Casa Forte, localizada à margem esquerda da foz do Piri (hoje doca do Ver-o-Peso). Recebeu a denominação de Forte do Presépio e em seu interior levantaram uma pequena capela, sob a invocação de N. S. das Graças.


Além do Forte do Presépio outros foram também construídos para proteger as terras da Amazônia da invasão de conquistadores ao longo do século XVII: Forte de S. Pedro de Nolasco (Convento das Mercês, em Belém), Forte N. S. das Mercês da Barra, Forte S. Antônio de Macapá, Casa Forte (origem da cidade de Ourém), Forte de N. S. de Nazaré, Forte da embocadura do rio Tuerê, Forte do Rio Paru, Forte do Tapajós (futura Santarém) e o Forte do Pauxis (origem da cidade de Óbidos).





Texto e Contexto


A 2 de janeiro de 1639 Pedro Teixeira redigiu, em Quito, uma Relação da sua jornada Amazonas acima, endereçada ao presidente da Audiência de Quito.

“Nesse grande sítio tem Sua Majestade uma fortaleza que chamam ‘O Presépio’, situada na Cidade de Belém; dista do mar 25 léguas [e] fica na banda leste, numa ponta de terra firme mui saudável e fertilíssima. (...) Está situada a dita fortaleza sobre uma grande enseada que ali faz o rio, tendo à vista três caudalosos rios: o primeiro se chama Capim, o segundo Oscaza [Acará?], o terceiro Moysu [Mojú].”

“A cidade do Pará está ao sul em dois terços [de grau] menos alguns minutos. Os holandeses têm chegado sondando [explorando] até o sítio de caça Juro [?], quatro jornadas inteiras acima do Tapajós e têm feito muitíssimo esforço para povoá-lo.”

(Pedro Teixeira In: PAPAVERO, op. cit., p. 154.)





O local escolhido por Castelo Branco para os portugueses se instalarem compreendia uma estreita faixa de terra confinada por um lado pela baía de Guajará e por outro por um grande pântano, chamado pelos nativos de Piry.


A localização escolhida mantinha o núcleo naturalmente abrigado de um ataque pelo interior, ao mesmo tempo em que permitia o controle da entrada da baía.


O surgimento do Forte do Presépio representou, assim, o marco da fundação da cidade. Em função do reduzido número de pessoas envolvidas no ato de fundação, a cidade nasceria embrionariamente dentro do forte.





O Forte do Presépio, Hoje. Núcleo Cultural Feliz Lusitânea. Belém, PA.





A Praça D'Armas do Forte do Presépio, Hoje.



Artefatos Bélicos encontrados por arqueólogos nos arredores do Forte. Balas de canhão e pedras de perdeneira (o atrito da pederneira no patin da arma produzia faísca na caçoleta que explodia e expulsava a bala). Acervo do Museu do Forte do Presépio. Belém, PA.




Em 7 de janeiro de 1619, os Tupinambás chefiados por Guaimiaba, Cabelo de Velha, revoltaram-se contra os portugueses, atacando o Forte do Presépio. Porém, o levante Tupinambá foi desbaratado pelos luso-brasileiros.



Texto e Contexto


A “Descriçam do Estado do Maranham, Para, Corupa, Rio das Amazonas” de Maurício de Heriarte (1662).


XXI. A Cidade de Bellem, capitania do gram Para, esta asentada sobre o famoso rio que se chamam Para, 25. legoas da Barra, cercada com 4. rios, que por hûa parte e outra a cingem: que sam, Guama, Guajara, Capim, e Moju, que todos juntos desaguam no gram Para.

Tem esta cidade hûa fortaleza, sobre o porto, bastante e defensível, com tres companhias de infantaria. Tem Capitam mor, Ouvidor, Provedor, Amoxarife, e Escrivam real, que tudo se desconta da Fazenda de S. Majestade. Tem sette engenhos de fazer asucar. Seus moradores fazem muito tabaco, he muy abundante de mantimentos da terra e frutas.


XXIII. Sam as terras do Para firmes, e melhores que as de Sam Luis, muy fertiles em dar fruto, e todo o anno criam, porque todo anno chove: suposto que no veram nam há tanta a agoa. Sam capazes de grandes povoações, por serem terras larguissimas, e de muitos Indios, que quando foy povoada de Portuguezes, avia mais de 600. povoações de Indios Tapinambas e Tapuias, que vendo que eram poucos os Portuguezes, se levantaram contra elles, e mataram 222, sendo seu Capitam mor Francisco Caldeira de Castello Branco: mas os q’ ficaram, com muito trabalho, deram grandes guerras à os Indios, e destruíram a naçam Tupinamba, que dominava sobre a outra naçam Tapuia. Morreram muitos Indios na guerra, e outros se retiraram pella terra dentro.
(Maurício de Heriarte In: PAPAVERO, op. cit., p. 251.)




Terminada a construção do Forte do Presépio, o próximo passo dos portugueses foi a colonização de Belém. Ergueram as primeiras casas.


A conquista do Grão-Pará pode ser dividida em quatro momentos. Em um primeiro momento, ocorreu a luta contra os indígenas que visava não só desalojá-los, mas também que continuassem a apoiar os franceses. Destacaram-se nessas lutas Mahias de Albuquerque e Manuel Pires (que dizimaram as tribos localizadas nos sertões de Cumã e Tapuitapera), Diogo Botelho (que arrasou a aldeia de Muju), Gaspar de Freitas (que lutou nas aldeias de Iguapé), Bento Maciel Parente e Pedro Teixeira.

Em um segundo momento, os portugueses tinham como meta a luta contra os estrangeiros a fim de evitar que os franceses, ingleses e holandeses dominassem o vale amazônico, onde já haviam construído várias fortalezas. As principais: Forte de Nassau, construído pelos holandeses entre 1599 e 1600, próximo à foz do Xingu, destruído em 1623; Forte de Mandiatuba, próximo a Gurupá, pertencente também dos holandeses, atacado em 1625 por Pedro Teixeira; Forte de Maiocaí, também de holandeses, destruído por Luís Aranha e Bento Maciel.

Em um terceiro momento, houve a ação de religiosos na região, que foi muito importante para a conquista espiritual na Amazônia. Com Castelo Branco, veio o padre Manoel Figueiredo de Mendonça, que rezou a primeira missa em Belém e que foi depois nomeado o 1º Vigário do Pará. Em 1617, aportavam os frades capuchos frei Antônio de Merciana, frei Cristóvão de São José, frei Sebastião do Rosário e frei Felipe de São Boaventura. Em 1618, os franciscanos capuchos, por ordem régia, ficaram responsáveis pela catequese indígena. Em 1621, a corte concordava com a reivindicação do capitão Manoel de Souza Eça, no sentido de que fossem enviados jesuítas ao Grão-Pará. Em 1626, era fundado, em Belém, o convento de Santo Antônio. Em 1639 foi criada a Missão do Maranhão e Grão-Pará da Companhia de Jesus (depois de, no ano anterior, ser entregue aos jesuítas o empreendimento catequista). Neste mesmo ano, aportavam em Belém os primeiros mercedários, que, em 1640, fundaram o convento (onde hoje se localiza a Igreja das Mercês). Fundaram missões no Rio Negro, Urubu, Amatari, Aniba e Uatumã. Em 1643 chegou o padre Antônio Vieira, que, deslumbrado com o lugar, sentiu que a conquista espiritual da Amazônia ampliaria os domínios de Sua Majestade e da região.

Missões jesuítas foram fundadas ao longo do rio Amazonas, do Negro e do Tocantins. Tiveram participação importante Francisco Veloso e Manoel Pires. Em 1660, os jesuítas inauguraram, em Belém, a Igreja de São Francisco Xavier (atual Santo Alexandre). Nessa fase, a conquista espiritual estava, assim, dividida: jesuítas, mercedários e frades de Santo Antônio cuidavam da catequese; os carmelitas e os frades da Piedade encarregavam-se da moralização interna das conquistas. Em 1667, foi criado o Bispado do Maranhão. Em 1706, outra ordem vinha atuar na região: a dos Franciscanos da Província da Conceição da Beira de Minho. No dia 4 de março de 1719, o papa Clemente XI, através da bula Copiosus in misericórdia, criou o Bispado do Grão-Pará, sendo nomeado o 1º bispo, o Carmelita D. Frei Bartolomeu do Pilar.


Por fim, ocorreu a conquista do Rio Amazonas. Na primeira metade do século XVII a Coroa Portuguesa já havia determinado que o Rio Amazonas fosse explorado até o Peru. O explorador e militar português Pedro Teixeira (1570-1641) fora nomeado comandante por Jácome de Noronha, dando-lhe a patente de capitão-mor da força expedicionária e poderes de capitão-geral governador do Estado. Os demais cargos e postos foram ocupados por outras pessoas influentes: mestre de campo, o capitão Antonio de Azambuja; sargento-mor, Felipe de Matos Cotrim; comandante das companhias de infantaria, os capitães Pedro Baião de Abreu e Pedro da Costa Favela.

A Bandeira saiu de São Luís, aportando em Belém em julho de 1637. Na capital paraense, foram incorporados à expedição 70 soldados, além do capitão Domingos Pires da Costa, o sargento Domingos Gonçalves e Diogo Rodrigues, o cronista da viagem João Gomes de Andrade, entre outros. No dia 28 de outubro de 1637, a expedição seguiu, de Cametá, já com 45 canoas, conduzindo 87 militares, três civis e mais de mil caboclos paraenses. No dia 3 de julho de 1638, a expedição atingiu o estuário do Rio Aguarico. Ali, Pedro Teixeira instalou um destacamento militar sob o comando de Pedro Favela, com a assistência de Pedro Baião de Abreu. No dia 15 de agosto atingiu a povoação de Payamino, longe 80 léguas de Quito.





Expedição de Pedro Teixeira.




A 16 de fevereiro de 1639, Pedro Teixeira deu início à nova jornada, desta vez de regresso a Belém. Vários religiosos acompanharam-no como os padres Cristóvão de Acunã (que a respeito escreveu O Novo Descobrimento do Rio das Amazonas) e Andrés de Artieda. Rumaram para Belém, chegando à baía do Guajará a 12 de dezembro de 1639. Os limites da Amazônia portuguesa tinham sido dilatados.



A "Conquista do Amazonas", obra do pintor Antônio Parreiras que retrata episódio da expedição de Pedro Teixeira (ao centro de azul) e suas conquistas na região. Original no Museu do Estado do Pará (MEP), Belém, PA.





Choque cultural

A chegada dos portugueses a terras brasileiras em 1.500 colocou em contato duas culturas notavelmente diversas. A sociedade européia privilegiava o dinheiro, as relações mercantis e o cristianismo. A sociedade indígena, nativa da América, valorizava a relação com a natureza, o mito e a vida comunitária. Mais tarde vieram os africanos sob a condição de escravos.

Nesses 500 anos de história em comum, a ação dos europeus, somada à contribuição de ameríndios e africanos, criou uma sociedade original nos trópicos. No entanto, isto teve o seu preço. Para os ameríndios, ocorreu a destruição quase completa de sua cultura original e o extermínio de povos inteiros.

Logo houve combates religiosos: a fé em um deus único (monoteísmo) foi imposta e a fé em vários deuses (politeísmo) foi combatida. O europeu obrigava os índios a cobrir o corpo todo por “decência”, com vestidos, e a inutilizar os adereços (enfeites). Além disto, desde o início da conquista portuguesa no Brasil, dos litorais do Sul até o Maranhão, os portugueses estiveram em contato com povos que falavam diversos dialetos.


Os padres religiosos decidiram então unificar todos os dialetos da língua tupi numa língua única, escrevendo gramática e dicionários. Na Amazônia, pela Carta Régia de 1689, a língua geral, isto é, a língua tupi, tornou-se oficial e devia ser ensinada pelos padres até aos filhos de colonos. Essa língua ficou conhecida como Nheengatu. No plano político-social, a alta mortalidade e os descimentos reduziram a população indígena, afastando a possibilidade de organização, em virtude da redução do poder político dos caciques.






A Companhia de Jesus foi a ordem religiosa que mais se destacou no Brasil colonial. Fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola para ser uma organização religiosa de combate às “heresias” e aos “inimigos da fé”, a Companhia de Jesus incorporou o espírito da Contra-Reforma.





Igreja de Santo Alexandre. Antiga Igreja e Escola dos jesuítas do século XVIII no Pará. Belém, Pará.



No Brasil, os jesuítas chegaram em 1549, na comitiva chefiada pela padre Manuel da Nóbrega. Nos séculos XVII e XVIII, os jesuítas mantinham igrejas, paróquias, colégios e missões desde Paranaguá (no atual estado do Paraná) até a região amazônica. Tanto por seu trabalho pastoral e missionário quanto pelo papel político que exerciam, os jesuítas tiveram forte presença na vida social e cultural da colônia. Foi na implantação das missões junto aos indígenas que os jesuítas mais se destacaram.



Padre jesuíta Antônio Vieira em gravura que representa o padre convertendo índios na Amazônia.



A função das missões era reunir grupos nativos em aldeamentos, promover sua conversão e aculturação e evitar sua escravização. Os índios aldeados ou “reduzidos” eram considerados protegidos, ou “livres”. Nos aldeamentos, onde isolavam os índios, os missionários os catequizavam e faziam produzir.





Administração colonial

Após a fundação de Belém, a nova descoberta ficou administrada por capitães-mores subordinados ao Governo Geral do Brasil. Não demorou muito para que o vasto território fosse dividido e várias capitanias, doadas a pessoas de bom grado. Assim, criaram sete capitanias:

1 – Capitania do Pará – Tinha como cede Belém e estendia-se da margem esquerda do rio Acutipuru (Quatipuru), até o primeiro braço do Rio Pará (Tocantins).

2 – Capitania de Caeté – Gaspar de Souza, e mais tarde seu filho Álvaro de Souza, era o donatário. Não tinha delimitação certa.

3 – Capitania de Vera Cruz do Gurupi – Pertencente a Feliciano Coelho de Carvalho, filho de Francisco Coelho e Carvalho, governador do Maranhão e Pará.

4 – Capitania de Cametá – Feliciano Coelho de Carvalho, perdendo a concessão de Vera Cruz de Gurupi, conseguiu outra, localizada em terras banhadas pelo Tocantins e habitada pelos índios camutás (1623). Em 1635, criou a vila Viçosa de Santa Cruz de Cametá.

5 – Capitania do Cabo do Norte – Pertencente a Bento Maciel Parente. Compreendia quase a totalidade das terras do atual Amapá.

6 – Capitania da Ilha de Joanes – Pertencente a Antônio de Souza Macedo, abrangendo todo o território da ilha do Marajó.

7 – Capitania de Gurupá – Criada a partir das ruínas do forte holandês.



Esse sistema de capitanias não foi muito benéfico para a região, sendo extinto e revertendo à Coroa as antigas doações. Em 23 de setembro de 1623, as capitanias do Grão-Pará e Maranhão se unificaram em um só Estado, tendo como sede a cidade de São Luís. Em 1652, Pará e Maranhão separaram-se; dois anos depois voltando a se unificar. Em 1673 o governador Pedro César de Menezes transferiu a sede do governo para Belém. Em 1688, a corte determinou que a capital voltasse a ser São Luís. No entanto, em 1737 a sede governamental retornou a Belém para, em 1752, o Pará ganhar novamente sua autonomia. Em 1815, as capitanias gerais do Brasil foram transformadas em províncias. A Província do Grão-Pará, com capital em Belém, possuía toda a superfície da Amazônia, já que a capitania do Rio Negro (atual Estado do Amazonas), continuava a depender do Pará.

O Pará (e a Amazônia) era subordinada diretamente a Lisboa, desvinculado do resto do Brasil. Somente com a vinda de D. João VI, e sendo a Corte instalada no Rio de Janeiro, é que os laços entre o extremo norte e o resto do país estreitaram-se mais.




Evolução Urbanística

Após a instalação do Forte do Presépio, os portugueses trataram de dar início à colonização da nova conquista. Oficialmente, a primeira rua a ser aberta foi a do Norte, hoje Siqueira Mendes, paralela à baía do Guajará, que ia daquela fortificação até a casa do capitão-mor Bento de Maciel Parente, onde hoje localiza-se a Igreja do Carmo.





Depois abriram as ruas do Espírito Santo (hoje Dr. Assis), dos Cavaleiros (Dr. Malcher), São João (João Diogo), da Residência (Félix Rocque), Atalaia (Joaquim Távora), Barroca (Gurupá), Longa (Ângelo Custódio), Água das Flores (Pedro Albuquerque), Alfama (Rodrigues dos Santos) e Aljube (Cametá).

Em 1627, com a construção do Convento de Santo Antônio, pelos frades da mesma ordem, que do igarapé do Uma se transferiram para ali, começou a “conquista” do bairro da Campina.

Com a expansão urbanística, a cidade ficou dividida em dois bairros: o da Cidade e o da Campina. O igarapé do Piri servia de limite entre as duas aglomerações urbanas. Com a chegada de colonos açorianos, em 1676, tiveram de abrir uma nova rua para abrigá-los. Eram cerca de 234 pessoas de ambos os sexos. A rua aberta foi chamada de São Vicente. Depois, prolongaram-na até o Piri com o nome de Nova de Santana (é a atual Manoel Barata).

Nos dois bairros as paisagens se assemelhavam: as ruas eram estreitas, possuíam poucas edificações, contudo havia algumas igrejas e conventos importantes, predominantemente as construções eram de casas de um só pavimento. A partir do século XVIII, edificaram-se importantes construções arquitetônicos como a capela de N. Sa. das Graças. Ergueram-se depois as primeiras igrejas de São João, Carmo, Santo Alexandre, Capela Santo Antônio. Mercês. Construíram-se os conventos do Carmo, dos Franciscanos de Santo Antônio, Jesuítas, Mercês.



Mapa que mostra Belém do Pará, em 1724.

Neste momento, não havia fonte de água na cidade. A água que os moradores bebiam era a que se colhia dentro de um barril enterrado no chão, em um sítio chamado de Pau de Água ou Paul de Água, existente na estrada de mesmo nome, posteriormente chamou-se de São Jerônimo e, hoje, governador José Malcher. Contudo, o governador José de Nápoles Telo de Meneses resolveu levar até ao Lago do Palácio aquela água, onde foi erguida a Casa de Mãe de Água. No entanto, o povo preferia servir-se do rio e dos igarapés. Os melhores poços eram o do Convento de Santo Antônio, o da Horta do Seminário, o do Palácio do Governo e o da casa do Ouvidor.


Bibliografia


ACUÑA, Cristobão de. Novo Descobrimento do Grande Rio das Amazonas. São Paulo: Agir, 1994.

BARATA, Manoel. Formação histórica do Pará. Belém: UFPA, 1973.

CUNHA, Manuel Carneiro da. (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1992.

D’AZEVEDO, João Lúcio. Os jesuítas no Grão-Pará: suas missões e a colonização. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1930.

MEIRA, Augusto Filho. Evolução histórica de Belém e do Grão-Pará. Belém: (s.n.), 1976.

PORRO, A. As crônicas do Rio Amazonas: notas etnográficas sobre as antigas populações indígenas da Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1993.

PROST, Gérard. História do Pará: das primeiras populações à Cabanagem. Volume I. Belém: Secretaria de Estado de Educação, 1998.

ROCQUE, Carlos. História geral de Belém e do Grão-Pará. Belém: Distribel, 2001.

32 comentários:

  1. muito bom parabéms...
    me informou muito apesasr de moprar em Belém
    tem certas coisas que nós mesmo da região ñ sabemos... e nem buscamos saber.... e com esse blog ira ajudar as pessoas a saber mais vou divugar esse seu blog...

    estáis de parabéns

    luiz eduardo

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado pelas informações irão me ajudar demais.
    Luiz Gabriel
    Estudante de cursinho

    ResponderExcluir
  3. muito bo assunto foi bem detalhado e de fácil leitura.também irei divulgar seu blog
    parabéns...

    ResponderExcluir
  4. adorei o texo melhorou e muito o meu conhecimento por belem.
    JOSILENE CORREA.....
    parabens!!!!!!

    ResponderExcluir
  5. Parabens, Prof Leonardo

    Tenho uma dúvida! Vi que os índios chamavam a baía de Paraná-Guaçu (ou seja, grande rio) mas quero achar o nome indigeno da cidade ou região de Belém. Pesquisei muito no Google e não achei. Por acaso, o senhor sabe?

    Se for possível, por favor deixe um comentário no link que segue abaixo (o meu site sobre Belém)

    http://eyesonbelem.wordpress.com/2009/07/11/the-many-names-of-belem/

    Muito obrigado!

    - Adam

    ResponderExcluir
  6. muito bom o texto,prof.Leonrdo assim fica mas facil estudar pois tá tudo bem organizado e explicado. obrigada, foi uma ótima leitura.

    Círia Dantas

    ResponderExcluir
  7. Possui um texto de leitura aprofundada e não cansativa.
    Muito bom.

    ResponderExcluir
  8. Muito bom o texto! No entanto, estou numa dúvida: Não ficou claro se Belém foi fundada em 1616 ou 1619. Ou seja, fundada em 1616 e explorada apenas em 1619 por Castelo Branco?

    ResponderExcluir
  9. PARA NÓS PARAENSES E MUITO BOM, SABER CADA VES MAIS UM POUCO DA HITORIA DO NOSSO PARÁ E DE NOSSA LINDA CIDADE DE BELÉM.POIS O TEXTO ESTAR BASTANTE RICO E DE FACIL INTERPRETAÇÃO.

    ResponderExcluir
  10. eu num achei nada que eu queria ai sobre a administraçao colonial no Pará I seculo

    ResponderExcluir
  11. arabéns pelo conteúdo, muito informativo e bem compreendido

    ResponderExcluir
  12. Oi ^^
    Meu nome é Júlia tenho 09 anos de idade
    e estava preucurando coisas sobre
    o estado e as cidades .
    Boom eu achei tudo aquii
    vocês estão de parabén s por
    publicar , esa ótima página
    ótima mesmoo!
    Parabéns
    Beijooos!
    Júlia Carolina

    ResponderExcluir
  13. Obrigada pelas informações, já tenho o conteúdo para ministrar uma aula sobre Estudos Amazônicos.

    ResponderExcluir
  14. Olá meu nome é Nicole, tenho nove anos :)
    e estava procurandoo um assunto como esse !
    e achei tudo como eu queria aquê
    foi mt bom
    parece que caiu do céu
    Obgaa gentee
    bjoos :*

    ResponderExcluir
  15. olá meu nome e thays eu estou fazedo esse trabalho de belém e e legal e me ajudou bastante

    ResponderExcluir
  16. olá...boa tarde..
    estou estudando pro concurso de ananindeua e sou graduada em História ..e esses seus textos me ajudaram a bessa..
    obrigada!!!!
    parabéns pelo belissímo trabalho.

    ResponderExcluir
  17. eu percebi que realmente conhecia muito pouco da hitória da minha cidade,mas agora conheço pelo menos a hitória básica e vou procurar expandir esse conhecimento mas e mas a cada dia.obrigado e sucesso!!!

    ResponderExcluir
  18. A historia de jesuitas no para é muito bacana só que tem muita coisa só que pelo comesso da historia da pra ver que aqui pra baixo tem mais coisas enteressates valeu abraços

    ResponderExcluir
  19. D+ ESSE BLOG, MUITO BOM MESMO MEUS PARABÉNS

    ResponderExcluir
  20. Olá, eu sou Marinho Alexandria.
    estou estudando pro concurso de Belém, esses seus textos me ajudaram muito..
    Valeu!!!!

    ResponderExcluir
  21. O conteúdo oferecido é de grande utilidade, pois conhecer um pouco da nossa história é muito importante até mesmo pra concursos públicos,entre outras coisas.

    ResponderExcluir
  22. Eu gostei bastante, me ajudou e muito no meu trabalho
    Só tenho a agradecer

    ResponderExcluir
  23. muito bom...conhecimento é irresistível

    ResponderExcluir
  24. Gosto muito do poeta e folclorista paraense, o grande JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO. Algum dia dele ouvi que "Flores são flores e potes são potes, mas flores pintadas em potes, isto é CULTURA. Para não esquecer quem somos!"

    ResponderExcluir
  25. oi gente eu to precisando muito d uma ajudinha e quero a ajuda d vcs se vcs podem me dizer quem foi q nomeou a rua 25 de setembro e a rua 28 de setembro por favor eu preciso entrega amanha no aniversario de belem

    ResponderExcluir