sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Cabanagem no Pará, 1835-1840.

Prof.º Leonardo Castro


A Cabanagem (1835-1840) foi a revolta na qual negros e índios se insurgiram contra a elite política e tomaram o poder no Pará (Brasil). Entre as causas da revolta encontram-se a extrema pobreza das populações humildes e a irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil.


A Cabanagem ocorreu durante o período regêncial no Brasil. O Período regencial brasileiro (1831 — 1840) foi o intervalo político entre os mandatos imperiais da Família Imperial Brasileira, pois quando o Imperador Pedro I abdicou de seu trono, o herdeiro D. Pedro II não tinha idade suficiente para assumir o cargo. Devido à natureza do período e das revoltas e problemas internos, o período regencial foi um dos momentos mais conturbados do Império Brasileiro.


De cunho popular, contou com a participação de elementos das camadas média e alta da região, entre os quais se destacam os nomes do fazendeiro Félix Clemente Malcher e do seringueiro Eduardo Angelim.


Na Cabanagem negros e índios também se envolveram diretamente no evento, insurgindo-se contra a elite política no Pará. Dentre alguns líderes populares da Cabanagem esteve o negro Manuel Barbeiro, o negro liberto de apelido Patriota e o escravo Joaquim Antônio, que manifestavam idéias de igualdade social.




Origem do nome

O nome “Cabanagem” remete à habitação (“cabanas”) da população de mestiços, escravos libertos e indígenas que participaram da Cabanagem.



O Cabano Paraense. Pintura de Alfredo Norfini, 1940. Museu de Artes de Belém.




História

Após a Independência do Brasil, a Província do Grão-Pará mobilizou-se para expulsar as forças reacionárias que pretendiam manter a região como colônia de Portugal. Nessa luta, que se arrastou por vários anos, destacaram-se as figuras do cônego e jornalista João Batista Gonçalves Campos, dos irmãos Vinagre e do fazendeiro Félix Clemente Malcher. Terminada a luta pela independência e instalado o governo provincial, os líderes locais foram marginalizados do poder. A elite fazendeira do Grão-Pará, embora com melhores condições, ressentia-se da falta de participação nas decisões do governo central, dominado pelas províncias do Sudeste e do Nordeste.


Em julho de 1831 estourou uma rebelião na guarnição militar de Belém do Pará, tendo Batista Campos sido preso como uma das lideranças implicadas. O presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, desencadeou uma política repressora, na tentativa de conter os inconformados.


O primeiro grande erro de Lobo de Sousa foi rivalizar com Batista Campos. Criando o Correio Oficial Paraense, dirigido pelo cônego Gaspar Siqueira Queiroz, grande inimigo de Batista Campos. As críticas contra o nacionalista logo começaram, e aumentavam a cada edição. Batista Campos também começou a lançar suas críticas, contra o governo. Conseguiu, inclusive, uma pastoral do bispo D. Romualdo Coelho contra Lobo de Sousa, pelo fato deste ser maçom. Nesta altura, chegava ao Pará o jornalista Vicente Ferreira de Lavor Papagaio, mandado buscar no Maranhão por Batista Campos. Aquele vinha fundar um jornal para fazer oposição à Presidência da Província. O título do jornal, Sentinela Maranhense na Guarita do Pará. Sua linguagem, logo na edição inaugural, foi tão violenta, que Lobo de Sousa ordenou a prisão de Papagaio e Batista Campos.


O clímax foi atingido em 1834, quando Batista Campos publicou uma carta do bispo do Pará, Romualdo de Sousa Coelho, criticando alguns políticos da província. O cônego foi logo perseguido, refugiando-se na fazenda de seu amigo Clemente Malcher, reunindo-se aos irmãos Vinagre (Manuel, Francisco Pedro e Antônio) e ao seringueiro e jornalista Eduardo Angelim. Antes de serem atacados por tropas governistas, abandonaram a fazenda. Contudo, no dia 3 de novembro, as tropas conseguiram matar Manuel Vinagre e prender Malcher. Batista Campos morreu no último dia do ano, ao que tudo indica de uma infecção causada por um corte que sofreu ao fazer a barba.



O movimento Cabano

Em 7 de janeiro de 1835, liderados por Antônio Vinagre, os rebeldes (tapuios, cabanos, negros e índios) tomaram de assalto o quartel e o palácio do governo de Belém, nomeando Félix Antonio Clemente Malcher presidente do Grão-Pará. Os cabanos, em menos de um dia, atacaram e conquistaram a cidade de Belém, assassinando o presidente Lobo de Souza e o Comandante das Armas, e apoderando-se de uma grande quantidade de material bélico. O governo cabano não durou por muito tempo, pois o novo presidente, Félix Malcher - tenente-coronel, latifundiário, dono de engenhos de açúcar - era mais identificado com os interesses do grupo dominante derrotado, é deposto em 19 de fevereiro de 1835. Por fim, Malcher acabou preso. Assumiu a Presidência, Francisco Vinagre.





Cabanagem, cenas na tela de Benedito Melo.

Em maio de 1935 chegou ao porto de Belém a fragata “Imperatriz”, enviada pelo presidente do Maranhão, a fim de terminar com o Governo revolucionário. Vinagre concordou em entregar a Presidência a Ângelo Custódio; mas, sobre pressão de Antônio Vinagre e Eduardo Angelim, recuou.


Em 20 de junho de 1935, na baía de Guajará, aportou outra fragata com o novo presidente do Pará (nomeado pela Regência), marechal Manoel Jorge Rodrigues. Vinagre, contra o desejo de seu irmão Antônio, entregou o poder.


Na noite de 14 de agosto de 1835, tiveram início novos combates. A invasão de Belém se deu pelos bairros de São Braz e Nazaré. Desta forma, Belém caía novamente em poder dos revoltosos. Aos 21 anos de idade, Eduardo Angelim assumiu a Presidência da Província.



Fim da Cabanagem

Contudo, em abril de 1836 chegava o marechal José Soares de Andrea, novo presidente, nomeado pela Regência. Andrea intimou os cabanos a abandonarem Belém. Angelim e seus auxiliares concordaram.


A última fase da Cabanagem é iniciada com a tomada de Belém por Andréa, com o restabelecimento da legalidade na Província. Apossando-se de Belém, as lutas ainda duraram quatro anos no interior da Província, onde ocorria o avanço das forças militares de forma violenta até 1840.


A Cabanagem continua viva na memória do povo paraense como o movimento popular que permitiu que as classes populares chegassem ao poder instalando um governo popular ou cabano no Pará do século XIX.



Monumento à Cabanagem, projetado por Oscar Niemeyer, em 1985. Belém, Pará.


Texto Complementar


A Cabanagem do Pará é o único movimento político do Brasil em que os pobres tomam o poder, de fato. É o único e isolado episódio de extrema violência social, quando os oprimidos – a ralé mais baixa, negros, tapuios, mulatos e cafuzos, além de brancos rebaixados que parecem não ter direito à branquitude, (...) assumem o poder e reinam absolutos, eliminando quase todas as formas de opressão, arrebentando com a hierarquia social, destruindo as forças militares e substituindo-as por algo que faz tremer os poderosos: o povo em armas.
(CHIAVENATO, Júlio José. Cabanagem: o povo no poder. São Paulo: Brasiliense, 1984. pp. 12-14.)


Bibliografia

CHIAVENATO, Júlio José. Cabanagem: o povo no poder. São Paulo: Brasiliense, 1984.

RAIOL, Domingo Antônio. Motins políticos. Belém: UFPA, 1970.

SALLES, Vicente. Memorial da Cabanagem. Belém: Conselho Estadual de Cultura, 1985.

56 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. e a cidade de Vigia , onde fica nesta história? será que não teve participação nenhuma?

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  3. ameiiiiiiii fiz o meu trabalho com esse texto

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  4. Amei a forma de voçês trabalharem .
    tudo bem explicado..... enfim adorei.
    BEIJOS ATÉ APRÓXIMA!!!!!!

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  5. amei o resumo, meu trabalho ficou ótimo.

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  6. AMEI COM A AJUDA DE VOÇÊS VOU GANHAR UM 10
    PQ MEU TRABALHO FICOU ÓTIMO
    FUI.

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  7. foi tudo muito bem explicado entendi tudinho!!!!!!!!!!! BEIJINHOS.XAU!!!!!!!!!

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    1. Bom completamente!! está ótimo está bastante explicado muito bom ajudou muito na pesquisa do meu trabalho de "Estudo Amazônicos" Bom meu professor falou assim para mim camila $ Quero que você faça uma pesquisa Que se chamava-se A cabanagem Do Pará "1835-1840. Bom agradeço a esse grupo Que fez esse trabalho lindo Muito Criativo nem é criativo é sim Interessante muito obrigado minha nota foi 10,00 Pontos Muito obrigado !!! Amei A pesquisa "Tchau beijos"

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  8. nem tudo que eu queria ta ai
    mais tá bem melhor que os outros que eu li

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  9. Ameei, eu tinha uma pesquisa sobre a cabanagem,e tirei dez..

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  10. 'amei a história sobre a cabanagem; nAo conhecia
    29 de outubro de 2009
    lourdes.

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  11. [nanda]eu amei tirei até nota 10 no trabalho q eu fiz sobre isso..

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  12. otimo a pesquisa e grande mas espero que tiro 1000000

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  13. só faltou o episodio do "brigue palhaço"

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  14. muito bom! conhecer a historia cabana representa força para o povo sofrido de uma terra tão rica...

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  15. EU FIZ UM TRABALHO SOBRE ESSA MERDA E QUAZE MORRI DE TANTA COISA

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  16. otimo tirei dez esse trabalho foi espetacular!!!!!!!!!!!

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  17. Professor, é muito bom ler texto referente a cabanagem, mas é intrigante que nessa imensidão que é o "mundo" da internet ter bem pouco sobre o assunto. os livros didáticos então nem se fala, no maximo 15 linhas, o que é lamentável... "só faltou o episodio do "brigue palhaço" Aires. Na verdade faltou bem mais do que isso. Ja fiz a leitura de quase todos os assuntos, e até agora somente a Cabanagem me decepcionou. Mesmo assim parabéns pela iniciativa. to lendo de muito bom gosto. Obrigado!

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  18. logo mais volto pra falar quanto tirei hein !!

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  19. Muito bom caboco...eu sou da rádio Caboco FM, coloquei um link no meu blog...do seu...PAIDÉGUA...ABS

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  20. adore muito esse texto ate que ta bem explicado valeu a ajuda beijokasssssss

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  21. grande resumo com as características e fatos principais deste assunto importante,e amei o "texto complementar",vou tirar um 10 no minha apresentação e trabalho;eu tenho 10 anos e sou do Maranhão...

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  22. faltou o episódio do brigue palhaço,como tbm o de vigia onde estava o "trem das armas"

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  23. Essa história é um marco na história do pará!!!
    Tamara salles*

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  24. poxa eu gostei muito desse conteudo o porfessor e otimo

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  25. Este comentário foi removido pelo autor.

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  26. fale um pouco sobre a história de Bragança!!!!!

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  27. mui bien jo soy la maestra de espanol,...........

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  28. a historia da cabanagem muda a vida de muita gente principalmente os dos alunos e dos professores

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  29. Muito legal eu não sabia de tudo isso
    foi muito bom saber agora vou ficar krak em historia0!!!!!!♠◘○•♦♣

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  30. é bom sim o texto de vcs mas nem tanto, a data 1935?? um seculo depois? não conhecia isso até entao! mas acho que vcs erraram nisso, e esta muito resumido, cabanagem foi otima? não acho! a liderança dos cabanos foi algo tão estupido, tomar o poder e não se manter nele por desentendimentos?? eles foram idiotas #FATO, a unica coisa que ganharam foi um monumento que serve pra abrigar mendigos e pivetes, fora que esse monumento nem faz parte da lista de museus de Belem, infelizmente os antigos e atuais lideres de Belem não estão nem ai pra um povo que lutou por seus direitos, lutou de forma meio besta mas lutou.

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    1. O que também deve ser esclarecido foi a crueldade com que nosso exército imperial dizimou quase metade da população da provincia.

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  31. Foi o único que encontrei bem resumido e uma história que esta ainda escondida muita gente não sabe, mas valeu mesmo dez.

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  32. Muito bom o texto de de grande utilidades para estudiosos e pesquisadores da História do Brasil, porém alerto que há um pequeno erro, que suponho ser de digitação na seguinte frase: " Em maio de 1935 chegou ao porto de Belém a fragata “Imperatriz”,. Deveria ser 1835, em vez de 1935, já que o Movimento Cabano terminou em 1840.

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  33. SÓ PRA TENTAR ESCLARECER,SABEMOS QUE A CABANAGEM NÃO FOI SÓ COMPOSTA POR ÍNDIOS E NEGROS,TAMBÉM TEVE PARTICIPAÇÃO DA ELITE DESCONTENTE,OU SEJA,AQUELA QUE NÃO ESTAVAM NO PODER,OS MILITARES MUITOS DOS QUAIS ERAM PARENTES DAQUELES QUE MORRERAM NO "BRIGUE PALHAÇO" E TAMBÉM QUE A DATA DO FIM DA MESMA NÃO SE DEU EM 1840,DOCUMENTOS PARAENSES MOSTRAM QUE ATÉ 1845 HOUVERAM RELATOS SOBRE A CABANAGEM NO SERTÃO AMAZÔNICO.

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  34. MOVIMENTO DE MUITA CORAGEM, ACHO QUE DEVERIA SER COMEMORADO TODO ANO A CABANAGEM OU ENTÃO CRIAR UM FERIADO ESTADUAL, EM COMEMORAÇÃO A CABANAGEM.
    NADA MAIS JUSTO POR O QUE ELES FIZERAM

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  35. Deveria, em nossos dias atuais, acontecer uma cabanagem em nível nacional, contra a corrupção de brasília e as injustiças que ocorrem brasil a fora. Parabéns muito bom texto.

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  36. Deveria, em nossos dias atuais, acontecer uma cabanagem em nível nacional, contra a corrupção de brasília e as injustiças que ocorrem brasil a fora. Parabéns muito bom texto.

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  37. Respostas
    1. Moro no Pará e esse texto é uma insulta a Revolução Cabana, os atores principais não foram esses homens da cidade de Belém e sim os indígenas que lutaram até o fim junto dos ribeirinhos e desclassificados, muitos desses que estavam na capital foram na verdade os traidores da Revolução. Os principais acontecimentos ocorreram no Oeste do Pará na cidade de Óbidos, Altamira, Santarém e não em Belém. A cabanagem não se reduziu a conflitos na capital, o Grao-Pará inteiro foi manchado de sangue pelos estupradores e assassinos da Coroa Portuguesa e pelo recém "independente", Brasil. Nosso povo foram os que mais lutaram para tal, minha cidade ganhou um belo batalhão do exército para fechar a principal via da cidade. A Cabanagem pode-se comparar a Revolução Francesa. Deem mais crédito por favor ao sangue do meu povo.

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  38. eu gostei muito eu acho que eu vou tira um dez

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  39. Existem alguns erros de história aqui. Um deles, e talvez o mais grave, é que não se trata de uma revolta e sim de uma revolução. A revolução da Cabanagem. Outro erro é que o primeiro governador Cabano, Malcher, não foi preso e sim morto pelos próprios cabanos ao ser entregue pela ardilosa marinha brasileira. Falta inúmeros fatos mais interessantes e a versão apresentada não muda muito da visão dos vencedores, como o próprio Antonio Rayol apresenta em sua trilogia. A cabanagem foi a maior revolução do Brasil e 30% da população morreu por ela. Creio que falta a visão mais politizada e cidadã que os cabanos queriam dar ao norte e mostrar que não eram burros e nem meros miseráveis como sempre se quer colocar.

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  40. é gostei , minha colega vai faser um trabalho sobre issu , e eu vo pergunta até kkkkkk

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  41. Muito bom mesmo! Só acho que você errou na data, umas 2 vezes. Acho que ao invés de 1935 seria 1835. Estou avisando com boas intenções. obg!

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  42. ótimo,me deu as informações que eu precisava.continuem

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