sábado, 28 de fevereiro de 2009

Pará Histórico


Prof. Leonardo Castro


O Estado do Pará é o segundo maior estado do Brasil, está situado na região Norte, cortado pela linha do equador e pelo rio Amazonas. É limitado ao norte pela Guiana, o Suriname e o estado do Amapá, a nordeste pelo oceano Atlântico, a leste pelos estados do Maranhão e de Tocantins, ao sul pelo estado do Mato Grosso e a oeste pelo estado do Amazonas, tendo a superfície de 1.253.164 km2, que corresponde a 14% da área nacional, e como capital a cidade de Belém, maior porto da Amazônia.



Localização: Região: Norte

Estados limítrofes: Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Amapá e Roraima.

Capital: Belém

Governo (2007 a 2011): Governador(a) Ana Júlia Carepa (PT) - Vice-governador(a) Odair Santos Corrêa (PSB).

Área Total: 1.247.689,515 km² (2º no Brasil).

População (2008): 7.321.493 hab (9º).
Densidade: 5,66 hab./km² (21º).
Economia (2006): PIB R$44.376.461 (13º) - PIB per capita: R$5.617 (22º).

Indicadores (2000):

IDH: 0,755 (2005) (16º) – médio
Esper. de vida: 71,4 anos (13º)
Mort. infantil: 25,2/mil nasc. (15º)
Analfabetismo: 12,5% (16º)


Bandeira do Pará.

Brasão do Pará.

O aspecto físico predominante no Pará é dado pelo rio Amazonas, que atravessa 800 km do estado de oeste para leste, até atingir o oceano Atlântico com uma descarga que equivale a 1/4 das águas despejadas nos oceanos por todos os rios do globo. Recebe pela margem direita os grandes tributários, rios Tapajós, Xingu e Tocantins, e pela margem esquerda os rios Trombetas, Paru e Jari. Na várzea do Amazonas, próximo à fronteira com o estado do Amazonas, encontram-se numerosos lagos como o Grande e o de Curaí. Na embocadura do Amazonas encontra-se a ilha de Marajó, com 42.964 km2. O rio Tocantins é responsável pela maior parte do caudal do rio Pará, no lado sul da ilha, enquanto a corrente principal do Amazonas passa ao norte. Os rios Pará e o Amazonas são ligados por inúmeros canais.



Relevo, Clima e Vegetação

O território do estado é marcado por quatro regiões: terras baixas ou várzea do vale do Amazonas; terra firme ou baixos platôs sedimentares terciários; depressões formadas nos embasamentos cristalinos na Amazônia setentrional e meridional e planaltos residuais da Amazônia setentrional e meridional.

A umidade e a temperatura são muito elevadas e as médias anuais estão acima de 26°C. Há grandes diferenças térmicas entre o dia e a noite, principalmente no interior, pelo fenômeno da continentalidade, mas as variações anuais são pequenas, marcadas somente pela presença maior ou menor de chuvas. Predomina em todo o estado a Floresta Amazônica, distinguindo-se dois tipos: mata de terra firme, onde ocorre a castanheira, e mata da várzea, onde cresce a seringueira. Existe ainda vegetação de campos em Marajó e vegetação de cerrado no sul.



História e memória

Só em finais do século XVI, com a união das monarquias ibéricas (1580-1640), o território do atual Pará, que pertencia à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas, começou a ser colonizado. E esse impulso foi dado, principalmente, porque a foz do Amazonas estava sendo ocupada por holandeses, ingleses e franceses que fizeram fortes e pequenos núcleos para exploração das “drogas do sertão” (madeiras, animais silvestres etc). Após a expulsão dos franceses da ilha de São Luís, no Maranhão, o governo português fundou o forte de Presépio, origem da futura Belém, em 12 de janeiro de 1616. A criação do estado do Grão-Pará e Maranhão, separado do estado do Brasil em 1621, incentivou não só a coleta das “drogas do sertão”, mas o cultivo da cana, do algodão, do café e do cacau e a vinda de colonos. Provocou ainda a catequese da imensa população indígena, com a instalação de várias ordens religiosas. Muitos conflitos entre missionários e colonos se deram pela exploração da mão-de-obra indígena, motivando a prisão e expulsão do padre Vieira em 1661. Mais tarde foi criada a Cia. Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, para fomento da região com a introdução de escravos negros.

Como os conflitos perduravam, Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal expulsou os jesuítas e publicou o Diretório dos Índios (1758), proclamando a primazia da autoridade civil sobre as missões. O século XVIII foi de grande progresso para o Pará, com a vinda de muitos açorianos e a elevação de vários núcleos à categoria de vilas. No século XIX, depois da independência, a Província do Pará viu-se envolvida em conflitos armados como a Cabanagem, que chegou a proclamar a separação do restante do Brasil. No fim do século passado e primeiro quartel do século XX, a exploração da borracha deu um enorme impulso econômico à região, que teve pouca duração ao não conseguir concorrer com a produção asiática.



Desenvolvimento atual

A estagnação econômica que se seguiu à queda da borracha só foi interrompida com a política governamental de criação de órgãos públicos especialmente voltados para a Amazônia. Em 1953, criou-se a Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia (SPVA), com a alocação de volumosos recursos e elaboração de projetos. Na década de 70, a abertura de grandes rodovias (Belém-Brasília e Transamazônica) e a criação de núcleos agrícolas procuraram integrar a região às outras do país e fomentar o povoamento. A descoberta de imensas jazidas minerais na região da serra dos Carajás, principalmente de ouro e ferro, tem deslocado nova frente populacional do nordeste e de outras regiões do país e provocado muitos conflitos sociais. Manganês na bacia do rio Vermelho, afluente do Itacaiuna, bauxita no vale do Trombetas, calcáreo em Itaituba e Marabá e sal-gema no médio Amazonas são as grandes riquezas da região. O estado é marcado pelas indústrias extrativas minerais já citadas, pela extração de madeiras, pela pecuária de bovinos e de búfalos, pela agricultura de arroz, juta, plantas oleaginosas, mandioca, pimenta-do-reino e sisal e pela extração da castanha-do-pará e da borracha.



A Capital paraense

Belém é a capital do Estado do Pará, situado no norte do Brasil, e o principal porto do curso inferior do rio Amazonas, perto do equador, no estuário do rio Pará, braço do Amazonas. No porto podem atracar navios transatlânticos e nele existe uma base naval. Fundada em 1616 pelos portugueses, Belém deve sua importância comercial à abertura do Amazonas ao comércio internacional, no final do século XIX, e ao período de auge da borracha, entre 1890 e 1920, quando firmou sua posição de grande intermediário exportador das riquezas amazônicas e importador da enorme variedade de produtos europeus que os donos de seringais e fazendas consumiam.



Brasao de Armas de Belém.




Bandeira de Belém do Pará.





Localização de Belém do Pará.



Belém, às margens da baía do Guajará e ao fundo Ver-o-Peso.



Prefeitura municipal de Belém, Palácio Antônio Lemos.

Na época da borracha a cidade se modernizou calçando suas ruas, abrindo esgotos, instalando a eletricidade e os primeiros sistemas de transporte coletivo urbano, além de embelezar-se com edifícios públicos como o Teatro da Paz. Ao período de relativa decadência provocado pelo fim do boom da borracha seguiu-se, nos anos 50, uma retomada do desenvolvimento que se manteve com diferentes ritmos até hoje, quando Belém se firma como centro de serviços e financeiro para toda a região Norte.

Praça da República e o Teatro da Paz.

A borracha continua sendo um dos principais produtos de exportação. Outros produtos importantes são as castanhas, o cacau, a juta e as madeiras nobres da região. Na cidade existem serrarias, lojas de máquinas, estaleiros e fábricas de ladrilhos e telhas.

Atualmente, Belém combina moderna edificação e hotéis de nível internacional com os prédios e fortificações que datam do período colonial. A cidade, centro cultural da região Norte do Brasil, é sede da Universidade Federal de Pará (1957) e do Museu Emílio Goeldi, que guarda coleções zoológicas e etnológicas do Amazonas famosas no mundo inteiro, além do Instituto Agronômico do Norte, especializado em pesquisar as formas de desenvolvimento agropecuário mais adequadas às características da Amazônia.

Belém tem uma íntima ligação com a floresta, como podemos observar na intensa arborização do centro da cidade, coberto por verdadeiros túneis de mangueiras. No perímetro urbano, há diversos bosques, parques zôo-botânicos e florestas, dentre os quais se destacam o Bosque Rodrigues Alves e o parque do Museu Paraense Emílio Goeldi, este último com mais de 100 anos de existência. O último parque a ser criado, o Parque Ambiental de Belém, fica na Floresta do Utinga. A cidade também mantém registros de sua forte ligação com os povos indígenas, mantendo espaços nos quais se podem encontrar peças genuínas da cerâmica marajoara e tapajônica.

Em Belém também situa-se o Mercado de Belém, também chamado de "Ver-o-peso", foi construído no século XIX, período áureo da extração da borracha. Localiza-se em Belém, estado do Pará. Em 1866, foi inaugurada uma linha inglesa de navegação entre Liverpool e a capital paraense. As transações comerciais se acentuaram e foi necessário construir um mercado para atender à demanda de comerciantes ingleses, alemães e norte-americanos. O mercado segue o estilo neoclássico, da belle époque brasileira, e as estruturas de ferro que o sustentam foram importadas da França. Também de ferro rendilhado são os pórticos e os detalhes da fachada, com desenho de folhas rendilhas. A escadaria central, vazada, acentua o valor arquitetônico do projeto atribuído ao engenheiro francês Eiffel.


Mercado do Ver-o-Peso.




Centros científicos de pesquisa

A Universidade Federal do Pará (UFPA), instituição pública de ensino superior fundada em 1957. Localizada às margens do rio Guamá, em uma paisagem que retrata as raízes de uma universidade voltada para a cultura amazônica. Possui cerca de 46 cursos de graduação, além de outros de especialização, mestrado e doutorado, reunidos em 11 centros e cinco núcleos de integração, bem como dois Hospitais Universitários e uma Escola de Aplicação que oferece ensino médio e fundamental para os filhos de seus servidores. A Universidade Federal do Pará mantém a liderança na comunidade científica do Norte do país, colocando-se à frente dos avanços tecnológicos e também na relação com a comunidade, dando o suporte técnico necessário ao desenvolvimento social da região e absorvendo a experiência da população como subsídio ao seu próprio desenvolvimento.

O Museu Emilio Goeldi, instituto do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) do Ministério de Ciência e Tecnologia, tem como objetivo produzir e difundir conhecimentos e acervos científicos sobre sistemas naturais e sócio-culturais relacionados à Amazônia. Fundado em 1866, por iniciativa de intelectuais locais interessados em estudar a flora, a fauna e a constituição geológica da região, o museu teve um importante papel no desenvolvimento das Ciências Naturais no Brasil do século XIX. Fechado em 1888, foi reinaugurado na década de 1890, em decorrência do desenvolvimento da borracha, sendo dirigido, nessa ocasião, pelo naturalista brasileiro de origem suíça, Emílio Goeldi (1859-1917), que reformou suas estruturas e criou duas revistas - Boletim do Museu Paraense e Memória do Museu Paraense. Atualmente desenvolve atividades de pesquisa e ensino em biologia, ciências humanas e ciências da Terra, além de possuir um volumoso acervo constituído de coleções nas áreas de arqueologia, antropologia, botânica e zoologia.



Localidades: cidades e municípios




Ananindeua, cidade do estado do Pará, no norte do Brasil, próxima da capital, Belém. O nome da cidade se originou da grande quantidade de árvores de anani existentes na região. Com clima equatorial superúmido, tem chuvas abundantes entre janeiro e maio. O núcleo habitacional surgiu em torno de uma parada da estrada de ferro Bragança, que mais tarde se transformou em distrito de Belém e foi elevada a município em 1943. Suas principais atividades econômicas são a extração de argila e areia, empregadas na construção civil, a de madeiras, e uma grande produção de pimenta-do-reino.


A Ilha de Marajó é considerada a maior ilha fluviomarítima do mundo, com seus 50.000 km2 de área, faz parte de um grande conjunto de ilhas situadas numa reentrância da costa brasileira denominada Golfão do Amazonas, a maioria delas formadas por sedimentos oriundos do rio Amazonas. Algumas são de grande extensão como Grande Gurupá, com 4.864 km2, Mexiana, com 1.534 km2 e Caviana com 4.968 km2. Situada na foz do complexo hidrográfico Amazonas/Pará, Marajó tem uma origem mista pois foi formada em parte por sedimentos fluviais recentes, em sua porção ocidental, na qual predominam as matas de várzea, enquanto a parte oriental é formada por terrenos consolidados datados do pleistoceno (quaternário antigo), separados tectônicamente do continente.


Policial montado em um bufalo no Marajó, cena típica nas cidades da ilha.

O tamanho e a posição de Marajó no delta-estuário do Amazonas/Pará separa dois grandes ambientes hidrográficos: as formações típicas de delta do Amazonas, que correspondem à porção norte do golfão entre Marajó e o litoral do Estado do Amapá, e a formação estuaria do Rio Pará na porção sul, entre Marajó e o litoral do Estado do Pará. Ligando esses dois ambientes, uma série de canais estreitos chamados localmente de furos, garantem a separação entre a Ilha de Marajó e o continente, num espaço em constante processo de assoreamento. Seu relevo plano e seu litoral baixo e alagado permitiram a introdução da cria de búfalos, animais muito bem adaptados a esse tipo de terreno. Além das fazendas de búfalo, o extrativismo vegetal de palmito é outra atividade econômica importante na ilha. Breves, Soure, Curralinho, Salvaterra e Muaná são as principais cidades da ilha, quase todas localizadas no litoral da baía de Marajó, ligando-se por barco a Belém, capital do Estado do Pará.



Ilha do Mosqueiro, situada às margens do rio Pará, braço sul da grande foz do Amazonas, é o principal balneário da cidade de Belém no estado do Pará. Formada pelos sedimentos trazidos pelos rios Amazonas e Tocantins, a ilha do Mosqueiro apresenta 17 km de praias fluviais distribuídas na margem oeste, banhada pelo rio Pará; em sua margem leste, está o estreito canal chamado Furo das Marinhas. Seu relevo é totalmente plano, característica das ilhas formadas por sedimentos recentes do período quaternário e sua vegetação é típica do clima equatorial, com muitas palmeiras e manguezais. Por ser a única opção de praia para os habitantes de Belém, sua ocupação nos fins de semana torna-se problemática, impactando seriamente as praias da ilha, por não haver um eficiente tratamento do esgoto sanitário. Seu acesso rodoviário também é influenciado pela grande distância de Belém, apesar de estar ligada ao continente pela ponte Sebastião Oliveira que cruza o Furo das Marinhas.


Entrada de Mosqueiro.


Castanhal, cidade do estado do Pará, no norte do Brasil. Liga-se à capital, Belém, por ferrovia (68 km pela estrada de ferro de Bragança) e rodovia (66 km). A construção da rodovia Belém–Brasília, nos anos 60, estimulou o crescimento da região, cujos primeiros povoadores foram migrantes nordestinos. O nome da cidade foi dado devido a uma castanheira que ficava em frente à estação ferroviária, construída entre 1900 e 1908. O município foi criado em 1932, com o desmembramento de parte do território de Belém. As principais atividades econômicas se estruturam em torno da madeira, farinha de mandioca, arroz, fibras vegetais e pimenta-do-reino.


Barcarena, cidade do estado do Pará, no norte do Brasil, situada às margens do rio Mucuruçu, dista 49 km da capital do estado, Belém, por via fluvial. Antes de 1709, Barcarena se chamava Fazenda Gebirié, mais tarde Missão Gebirié, da Companhia de Jesus, habitada por índios da tribo dos anuás. Constituiu-se em freguesia com o nome de São Francisco Xavier de Barcarena. Em 1952 foi organizada a mudança da cidade para a margem do rio Mucuruçu, facilitando a navegação das embarcações que se dirigem ao rio Amazonas e afluentes. O clima é equatorial superúmido, com chuvas abundantes entre janeiro e junho. As principais atividades econômicas do município são a extração de argila para a fabricação de tijolos e telhas, borracha, madeiras e a cultura de pimenta-do-reino.


Abaetetuba, cidade do estado do Pará, na região Norte do Brasil. Está situada na margem direita da foz do rio Tocantins, em frente à baía de Marapatá. Sua altitude é de 10 metros, o clima quente superúmido, com chuvas abundantes de janeiro a junho. Dista 73 km da capital do estado, Belém. As primeiras incursões do homem branco na região ocorreram a partir de 1745, quando famílias portuguesas e frades capuchinhos fundaram o convento do Una. A primeira denominação da cidade foi Abaeté, que significa "homem forte e valente". Em 1881 foi instalada a Câmara Municipal, mas somente em 1895 Abaeté foi elevada à condição de cidade. Pelo decreto-lei de 1943, que dispunha sobre a duplicação dos topônimos de cidades, Abaeté passou a denominar-se Abaetetuba. A principal atividade econômica da região é a produção de aguardente, seguida da fabricação de farinha de mandioca e da extração de madeira e borracha.


Vigia é um município brasileiro do estado do Pará. O município foi criado em 1616, seis dias antes da fundação da também paraense Belém do Pará. Sua população estimada em 2006 era de 42.214 habitantes.


A famosa igreja de pedra de Vigia.



Tucuruí, cidade do estado do Pará, no norte do Brasil, situada a uma altitude de 42 metros, com clima quente super-úmido. Liga-se por rodovia e via fluvial à capital do estado, Belém (a 400 km de distância). A povoação foi fundada em 1781 com objetivos militares e fiscais de controle sobre a região do rio Tocantins, por onde trafegava muito ouro retirado das minas de Goiás. Por lei de 1875 a freguesia de São Pedro de Pederneiras foi denominada São Pedro de Alcobaça. A denominação durou até 1943, quando por decreto foi estabelecida a denominação de Tucuruí. A hidrelétrica de Tucuruí, sobre o rio Tocantins, permitiu o processamento industrial do alumínio em Barcarena e da celulose em Jari. A Estrada de Ferro Tocantins, com 179 km, liga Tucuruí e Jatobá. As principais atividades econômicas da região são a extração da castanha-do-pará, madeiras e couros.


Santarém, porto fluvial do estado do Pará, no norte do Brasil. Está situada na margem direita do rio Amazonas, junto à foz do rio Tapajós, a uma altitude de 51 metros. Seu clima é equatorial úmido, e dista 1.369 km por rodovia da capital do estado, Belém. As principais atividades econômicas são a indústria da madeira, transporte, frigoríficos, produção de borracha, extração da castanha-do-Pará e juta, além de constituir um centro comercial regional. Depois da entrada na região, os jesuítas iniciaram um núcleo de catequese na aldeia dos índios tapajós, por volta de 1660. Um forte foi estabelecido no local em 1697. Foi elevada à categoria de vila em 1758 e à de cidade em 1848. Uma das atrações turísticas é o antigo projeto de plantação de borracha da Ford em Belterra, a Fordlândia, hoje viveiro do Ministério da Agricultura.




Orla de Santarém, às margens do rio Tapajós.




Marabá, cidade do estado do Pará, no norte do Brasil, situada na confluência dos rios Tocantins e Araguaia. Está dentro da área de influência da capital, Belém, e por sua vez exerce um papel central em relação as municípios de Brejo Grande do Araguaia, Eldorado dos Carajás, São João do Araguaia, Itupiranga e Bom Jesus do Tocantins. Com altitude de 84 metros, tem clima quente superúmido e está ligada por rodovia à capital do estado (654 km). Situada no entroncamento da estrada Transamazônica, suas principais atividades econômicas são a extração de madeira, castanha-do-pará, babaçu, diamantes, cal e argila. Como é comum nas regiões de exploração de minérios onde há fluxos migratórios intensos, os conflitos pela posse da terra são frequentes e por vezes violentos. O município foi criado em 1913, e em 1995 contava com uma população de 123.668 habitantes.


Paraupebas, cidade do estado do Pará, no norte do Brasil. Dista cerca de 700 km da capital do estado, Belém, à qual está ligada pela rodovia Belém-Brasília e pela rede fluvial do Tocantins. É um centro regional importante, que exerce influência sobre municípios vizinhos, como Curionópolis. Seu crescimento recente deve-se a novas riquezas minerais exploradas na região e ao crescimento de cidades vizinhas no estado de Tocantins, recém-dividido do estado de Goiás. Constitui uma das recentes fronteiras migratórias e, em consequência, é cenário de tensões sociais pela posse da terra. Elevada à condição de cidade em 1989.



Altamira é um município brasileiro do estado do Pará. Sua população estimada em 2008 era de 96.842 habitantes. Situado em plena selva amazônica, a 740 quilômetros de Belém e 458 quilômetros de Marabá, o município de Altamira tem seu vasto território cortado de norte a sul pelo rio Xingu, que domina sua zona fisiográfica. Altamira possui uma área de 161.445,9 km², o que a torna o maior município do Brasil e do mundo em extensão territorial. No município de Altamira inicia-se a "volta grande do Xingu", trecho sinuoso e cheio de cachoeiras do Rio Xingu onde, no final do trecho, será construída a Hidrelétrica de Belo Monte. Essa hidrelétrica, com capacidade de 11.182 MW, será a terceira maior do mundo, após Três Gargantas, na China, e Itaipu, entre o Brasil e Paraguai), inundará cerca de 400 km², principalmente nos municípios de Vitória do Xingu e Altamira.


São Félix do Xingu é um município brasileiro do estado do Pará. As origens de São Félix estão intimamente ligadas ao município de Altamira. Em 14 de abril de 1874, através da Lei nº 811,, foi criado o município de Sousel, do qual Altamira fazia parte. Na primeira década do século XX, o governo desmembrou aquele Município, criando o de Xingu, com sede em Altamira. Em 29 de dezembro de 1961, durante o governo de Aurélio do Carmo, através da Lei nº 2.460, foi criado o Município de São Félix do Xingu, com área desmembrada do Município de Altamira.


Oriximiná é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se a uma latitude 01º45'56" sul e a uma longitude 55º51'58" oeste, estando a uma altitude de 46 metros.O desbravamento, em 1877, foi feito pelo padre José Nicolino de Souza, nascido em Faro, onde fundou uma povoação, denominando-a Uruã-Tapera ou Mura-Tapera. O nome Oriximiná é de origem indígena, de procedência tupi, que significa “o macho da abelha”, o zangão. É o segundo maior município do Estado do Pará, possui uma área de 107.604,4 km², só superado pelo município de Altamira (161.445,91 km²) em extensão territorial.

Bragança é um município brasileiro do estado do Pará. Em 1622 o território de Bragança pertencia á Capitania de Gurupi. A área foi doada por Filipe III de Espanha à Gaspar de Souza, governador-geral do Brasil. Em 1634 foi fundado um povoado nas margens do Rio Caeté por Álvaro de Souza e transferido para a outra margem devido ás dificuldades encontradas com a comunicação do povoado com Belém. Em 1854 um decreto presidencial criou o município de Bragança.


Obelisco do Centenário de Adesão de Bragança à Independência do Brasil (1823) e Igreja Catedral de N. S. do Rosário, na Praça da Catedral.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Círio de Nazaré, comidas típicas e danças no Pará



Prof. Leonardo Castro


Círio de Nossa Senhora de Nazaré


São quase 300 anos de uma história em que protagonistas anônimos reúnem-se para expressar a crença em Nossa Senhora de Nazaré. O Círio é o momento ímpar de devoção, fé e amor, quando milhares inundam as ruas de Belém do Pará, na maior procissão de fé cristã católica, no segundo domingo de outubro.


Nossa Senhora de Nazaré.





A Berlinda com a Padroeira - Nossa Senhora de Nazaré.



História

A devoção à Nossa Senhora de Nazaré no Pará começou em 1700, quando o caboclo Plácido encontrou uma imagem da Virgem no igarapé Murutucu - onde hoje é a travessa 14 de março, em Belém. Levou a imagem para casa, mas, misteriosamente, ela retornou ao local onde foi encontrada. O fato se repetiu várias vezes e Plácido decidiu construir uma pequena capela no lugar do achado, onde milhares de viajantes e romeiros vinham em busca de graças e milagres da santa.



Mas foi somente nove décadas depois que tanta devoção deu origem ao Círio de Nazaré. A procissão foi realizada pela primeira vez como pagamento de uma promessa. Era 8 de setembro de 1793, uma quarta-feira. Naquele ano, o governador português Francisco Coutinho, impressionado com as romarias à ermida de Nazaré, decidiu organizar uma festa pública para divulgar essa devoção. Toda a população do interior foi convidada para uma grande feira, onde as pessoas iriam expor seus produtos da lavoura, além de participar de um fascinante evento religioso.



Às vésperas da festa, o governador adoeceu. Prometeu à Virgem que se melhorasse iria buscar a imagem na ermida para levá-la até o Palácio do Governo, onde faria celebrar uma missa. Em seguida, a traria de volta em romaria. Recuperado, o governador cumpriu sua promessa e assim se iniciou a maior procissão religiosa do Brasil, nas ruas de Belém.



Até o início do ano 1900, a grande procissão acontecia em setembro. Hoje, é realizada no segundo domingo de outubro. O percurso também era diferente, pois inicialmente saía da capela do Palácio do Governo em direção à ermida no Igarapé Murutucu. Em 1882, o bispo Dom Macedo Costa decidiu que o ponto de partida seria a Catedral. As ruas de Belém não eram asfaltadas e viravam grandes atoleiros com as cheias da baía de Guajará, que banha parte da cidade, em especial a área onde passa a procissão. Por causa disso, a Berlinda com a imagem da santa era puxada por bois, que precisavam do reforço de uma corda num desses atoleiros.





A corda do Círio, hoje.



No século XX, os bois foram retirados da procissão porque começaram a oferecer risco para os fiéis que acompanhavam a imagem, mas a corda permaneceu e se tornou um dos principais símbolos da festa de Nazaré.


Trasladação - A primeira trasladação aconteceu em 1793. Na véspera da procissão, o pároco levava a imagem primeiro para a capela do Palácio do Governo e depois para a Catedral. Ele era acompanhado apenas por um pequeno grupo de pessoas. Atualmente, a Trasladação é praticamente um outro Círio.




Trasladação

A Trasladação é o mais tradicional entre os eventos que antecedem o Círio. Começou na noite anterior ao primeiro Círio de Nazaré, em 1793. A procissão originou-se de uma circular do governador da época, Dom Francisco de Souza Coutinho, determinando que a imagem da Virgem fosse conduzida da igreja onde estava para a capela do Palácio do Governo, de onde sairia o Círio na manhã seguinte. Desde então, a tradição vem sendo cumprida.


A procissão geralmente é longa. Em 2000, por exemplo, durou das 17 horas de sábado à uma da madrugada de domingo. Ao longo de todo o trajeto o povo se aglomera nas ruas transversais ao cortejo para ver à passagem da Berlinda, que conduz a imagem da Virgem de Nazaré.



No domingo a imagem será levada, bem cedo, para a grande procissão do Círio, que é considerada uma das maiores romarias católicas do mundo, por reunir cerca de 1,5 milhão de pessoas nas ruas de Belém.



Sexta-feira: o início da peregrinação



A peregrinação da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, na semana do Círio, começa na sexta-feira que antecede a grande procissão do segundo domingo de outubro.


A primeira homenagem que a padroeira recebe acontece durante o percurso em que a imagem sai da Basílica de Nazaré, no centro da capital paraense, até a igreja matriz do município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.


O trajeto inicia por volta das 14h e termina às 19 horas. Ao longo de todo o percurso, Nossa Senhora, cuja imagem é conduzida em carro aberto, é saudada com chuvas de papel picado, pétalas de rosas, fogos de artifício, cânticos, orações e, às vezes, o silêncio.


Em um ponto do trajeto - na saída de Belém - o bispo concede a bênção aos fiéis. Em alguns momentos, a imagem é seguida por pedestres e ciclistas. No início da noite, a santa chega a Ananindeua, onde é recebida por uma multidão de fiéis, que passa a noite em vigília.




Sábado: segundo dia de romaria


Depois de passar a noite na Igreja Matriz de Ananindeua, a imagem, já na madrugada de sábado, é conduzida por uma procissão rodoviária. Por volta de cinco horas da manhã, o arcebispo metropolitano de Belém celebra uma missa, que dá início à segunda fase da romaria.


Depois da celebração, a imagem é colocada no alto de um caminhão, sob uma redoma, protegida pela Guarda da Santa. Como no traslado de Belém a Ananindeua, o caminhão vai acompanhado de vários motoqueiros. A procissão na rodovia BR-316 é seguida pelos carros da Diretoria do Círio, Polícia Rodoviária, Cruz Vermelha e centenas de outros veículos.



A procissão vai até o trapiche da Vila de Icoaraci, distrito de Belém. E de lá que sai outra tradicional romaria.


A padroeira dos paraenses é também a padroeira dos navegantes. Por isso, a romaria fluvial é um dos mais esperados, belos e emocionantes momentos de devoção à virgem de Nazaré. O evento foi realizado pela primeira vez em 8 de outubro de 1986, organizado pela Paratur.






Romaria fluvial, navio da marinha do Brasil com a imagem da Virgem de Nazaré.


A imagem é levada por um barco, enfeitado com flores, balões e fitas coloridas. A embarcação segue pela baía do Guajará, no entorno de Belém, seguida por centenas de outros barcos ornamentados. As embarcações que acompanham o evento também participam de um concurso promovido pela Paratur, que escolhe a mais bela decoração.

O trajeto Icoaraci-Belém dura, em média, cinco horas. Ao chegar ao cais do porto da capital, a virgem recebe mais homenagens com queima de fogos. A imagem é recebida por uma multidão. São motoqueiros, motoristas e outros milhares de fiéis. A imagem é conduzida até o Colégio Gentil Bittencourt, de onde só sai à noite, para a trasladação. Há infinitas manifestações de devoção durante o mês de outubro. Em Belém, uma outra expressão de fé vem das crianças. O Círio das Crianças acontece sempre no primeiro domingo depois da grande procissão. A romaria dos pequenos é grande em homenagens. Ao longo de todo o percurso da procissão, que começa logo após uma missa campal na Praça Santuário, os pequenos fiéis cantam, rezam e balançam lenços para Nossa Senhora de Nazaré.

As crianças, que antes só eram vistas no grande Círio, enfeitando os carros dos anjos - como fruto de promessas - ou no colo dos pais, ganharam uma procissão só para elas, em 1990. A caminhada dos romeiros mirins é repleta de particularidades. Os cânticos religiosos, por exemplo, são em versão infantil. Fogos são lançados ao longo da procissão para alegrar a meninada. Um carro som também ajuda na empolgação. A romaria é curta, de apenas 1,8 quilômetros, e dura, em média, uma hora e meia. Ao final, apesar do cansaço, os pequenos ainda mostram fôlego para enfrentar uma longa fila e realizar um desejo: beijar a imagem da Santa.

O Recírio é o último momento do Círio de Nazaré. É quando os paraenses se despedem de sua padroeira, na segunda-feira, 15 dias após a grande procissão do segundo domingo de outubro. Nesse dia, a cidade pára. O sentimento é de saudade. É o fim do encontro entre Mãe e Filho. De manhã, quando é realizada a procissão, nada funciona em Belém.O Recírio começa após uma missa campal no Centro Arquitetônico de Nazaré às primeiras hora da manhã. Depois, a imagem da padroeira dos paraenses é conduzida em um andor pelas ruas ao redor da Praça Santuário, em frente a Basílica de Nazaré em direção à Capela do Colégio Gentil Bittencourt, onde ficará até o próximo Círio. É um trajeto curto, de apenas meia-hora, mas suficiente para os fiéis prestarem suas últimas homenagens à Santa.




Comidas típicas do Pará

A floresta amazônica - fonte de inspiração para os índios em diversos setores – também originou uma das mais típicas e surpreendentes cozinhas do Brasil. Da natureza rica em ervas, frutos, sabores e cheiros nasceu a gastronomia paraense. É considerada a mais autêntica e exótica do país e responsável por colocar o Pará em destaque no roteiro turístico gastronômico nacional e internacional.

A festa do Círio de Nazaré, considerada o Natal dos paraenses, tem como um dos grandes momentos o almoço do domingo de Círio. Em todos os lares, o almoço do Círio confraterniza as famílias, hóspedes e amigos. É quando a rica culinária paraense pode ser melhor apreciada. Além dos pratos típicos, como o pato no tucupi e a exótica maniçoba, os frutos do mar, da floresta, dos rios e das imensas fazendas paraenses compõem os cardápios: enormes peixes, como o pirarucu, a pescada amarela, o tambaqui, o tucunaré e o filhote, assados inteiros ou em moquecas.



Pato no Tucupi.

A Maniçoba.

Tem ainda os filés de búfalo da ilha do Marajó; camarões rosados e cinzentos, patas de caranguejo, ostras e sernambis, oriundos da Amazônia Atlântica; delicados cremes e deliciosos sorvetes de frutas variadas – mangas, abacaxis, açaí e também bacuris, cupuaçus e muricis; queijo fresco; tartarugas oriundas dos criatórios artificiais. O Pará herdou a arte portuguesa dos doces, e aplicou-a sobre as frutas amazônicas: as tortas, docinhos e bombons recheados são únicos e deliciosos.

A mandioca na alimentação do paraense tem um papel expressivo. De seu processamento saem o tucupi, a farinha d´água – que acompanha as principais refeições – e o amido, chamado tapioca, usado em diversos pratos e sorvete.



As frutas regionais complementam o cardápio. Uma diversidade que pode ser encontrada na Feira do Ver-o-Peso, em Belém, e, de quebra, consumida em doces e sorvetes, compondo maravilhosas sobremesas - um destaque a mais da culinária paraense. Como exemplos, o cupuaçu, o bacuri, o taperebá e a própria manga e o açai, esta muito encontrada em feiras e nas ruas da capital.




O açaí é um dos frutos mais apreciados pelos paraenses e por quem visita o Pará. Dele é extraída uma espécie de suco grosso, de cor arroxeada, não alcoólico. Os paraenses o consomem misturado com farinha d’água ou de tapioca, e geralmente acompanhado de peixe frito, camarão assado, ou alguma outra carne salgada.


O tacacá é uma iguaria da região amazônica brasileira, em particular do Acre, Pará, Amazonas, Rondônia e Amapá. É preparado com um caldo fino de cor amarelada chamado tucupi, sobre o qual se coloca goma, camarão e jambu. Serve-se muito quente, temperado com sal e pimenta, em cuias.


Sua origem é indígena e, segundo Câmara Cascudo, deriva de um tipo de sopa indígena denominada mani poi. Câmara Cascudo diz que “Esse mani poí fez nascer os atuais tacacá, com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta, sal, às vezes camarões secos.”



Danças do Pará


Carimbó

O nome vem dos índios Tupinambá - CURI (PAU OCO) e M`BÓ (FURADO). Na tradução seria "pau que propaga o som". A influência africana deixou o ritmo do carimbó mais agitado e alegre. A roupa é simples: as mulheres usam saia rodada estampada, blusa de cambraia branca, colares coloridos e uma flor no cabelo. Os homens, calça curta de pescador e camisa estampada. Os dançarinos bailam descalços. Marapanim e Vigia são os municípios mais antigos na execução desta dança.



A dança do Carimbó.



A música do carimbó vem sendo popularizada nas vozes e no trabalho de alguns cantores e compositores da terra. Entre os que difundiram o ritmo tradicional estão Mestres Verequete e Cupijó. Atualmente, o músico Pinduca adaptou a um ritmo mais moderno. Da Ilha do Marajó Mestre Lucindo, já falecido, é considerado um dos mais importantes compositores populares do Pará junto com Zezinho Vianna, autor da exótica “Invernada Marajoara”.

A coreografia começa com o homem batendo palmas para a mulher. É o convite para a dança. O grupo forma uma roda. As dançarinas fazem movimento circular com a saia. A intenção é atirar a saia sobre a cabeça de seu par. O papel do homem é evitar que ela consiga. A vitória, dela, seria a desmoralização do homem, que seria obrigado a se retirar do local da dança. A parte mais importante em uma roda de carimbó é a marcação coreográfica de um dos pés sempre à frente do corpo.

Um ponto alto da dança é o momento em que um casal vai para o meio da roda, onde fazem a dança do peru, nessa hora o cavalheiro é forçado a apanhar com a boca um lenço que a parceira estende no chão. Se conseguir pegar o lenço, o homem é aplaudido. Caso contrário, a mulher atira-lhe a barra da saia no rosto e o cavalheiro é forçado a abandonar a dança.


Lundu Marajoara

De origem africana, foi registrada inicialmente na ilha do Marajó. É a mais sensual dança folclórica paraense. O tema está centrado no convite do homem à mulher para um encontro sexual. A dança desenvolve-se, a princípio, com a recusa da mulher, mas diante da insistência do companheiro ela termina por ceder. O "ato sexual" acontece quando o casais realiza a UMBIGADA - movimentos sensuais de requebro.

A movimentação coreográfica é tão plena de sensualidade que, na época do Brasil Império, a Corte e o Vaticano proibiram que fosse dançada. Com o tempo, o decreto caiu no esquecimento e o Lundu voltou a ser praticado, mantendo sua principal característica: a sensualidade.

A dança é acompanhada por instrumentos como rabeca, clarinete, reco-reco, ganzá, maracá, banjo e cavaquinho. As mulheres normalmente se vestem com saias longas e coloridas, blusas curtas com rendado branco. Já os homens vestem-se com calças largas, geralmente brancas, com as bainhas enroladas.


Marambiré

Surgiu depois da abolição da escravatura e simboliza a esperança dos negros na constituição de uma sociedade livre e justa. De acordo com pesquisas, a dança evoluiu dos cantos de outras manifestações populares de caráter religioso na área do Baixo Amazonas, precisamente em Alter-do-Chão, Santarém.

O Marambiré dançado em Alter-do-Chão mistura elementos religiosos e profanos. O bailado constitui-se numa simples marcha. A coreografia é meio complicada, dançada em pares com ritmo bem marcado. O Marambiré é sempre apresentado no festival do Çairé.



Marujada

Três apresentações marcam a Marujada: a primeira no dia de Natal, a segunda no dia de São Benedito – 26 de dezembro. E a terceira acontece no dia 1º de janeiro. A festa tem a mesma origem que a irmandade de São Benedito: em 1798, quando os senhores atenderam ao pedido dos escravos para a organização da irmandade. Nessa época, foi realizada a primeira festa em louvor ao santo. A manifestação foi mantida e incorporou-se ao lado profano da festa.

A festividade acontece no município de Bragança. Lá, homens "marujos" e mulheres "marujas" percorrem a cidade imitando o balanço de um barco na água. A dança é comandada pelas mulheres e acompanhada musicalmente pelos homens, que usam violas, rabecas, violinos, tambores e cavaquinhos. A Marujada de Bragança é dividida em várias danças, como: Contra Dança, Retumbão, Mazurca, Valsa, Xote Bragantino, Chorado e Roda.


Homens "marujos" e mulheres "marujas".


Retumbão


A festividade em devoção a São Benedito, em Bragança, deu origem à Marujada, e com ela a mais conhecida e importante dança folclórica da Marujada, o Retumbão.

O Retumbão pode ser considerado a dança favorita dos integrantes da Marujada de Bragança. O ritmo seria uma variação do Lundu. Quanto à coreografia, nada tem de semelhante. O ritmo e a forma como é dançado dão-lhe uma característica própria e um isolamento que não permitiu acréscimos de outros ritmos. Tem origem comum à fundação da irmandade da marujada de Bragança, em 1978.

A dança recebeu o nome de Retumbão devido ao entusiasmo dos próprios portugueses que, ao ouvirem de longe o ritmo e a linha melódica, diziam que tudo “retumbava”, elogiando a execução.
A orquestra da dança do retumbão é composta de tambores grandes e pequenos pandeiros, cuíca (onça), rabeca, viola, cavaquinho e violino. Não há canto no retumbão.



Samba do cacete


O Samba do Cacete surgiu no município de Cametá. Esta dança foi criada para mostrar toda a sensualidade da região. O nome se origina do instrumento que é usado para dar ritmo e marcação à música: os cacetes, dois pedaços de pau que são batidos no Curimbó, para dar cadência ao ritmo.


Dança do siriá


Originária de Cametá, a dança expressa gratidão dos índios e escravos africanos por um milagre. Depois de um dia exaustivo de trabalho, os escravos eram liberados, sob fiscalização, para conseguir algo para comer. Certo dia, foram à praia e encontraram grandes quantidades de siris que se deixavam apanhar facilmente. Em agradecimento, ensaiaram uma dança e deram o nome de SIRIÁ, que narra o fato.


O siriá é uma variação do batuque africano, mas ao longo dos tempos sofreu algumas pequenas alterações. A coreografia traz como principal característica o ritmo lento, no início, que torna-se frenético em seguida. A dança obedece a uma coreografia que evolui ao ritmo dos versos cantados. No refrão, os pares fazem volteios com o corpo curvado para o lado esquerdo e para o lado direito.


O nome Siriá surgiu por distorção lingüística. A influência racial até hoje, em alguns lugares da Amazônia, é refletida na pronuncia de determinadas palavras. Um exemplo está na terminação de alguns nomes: "cafezal" chamam de "CAFEZÁ", "milharal" chamam de "MILHARÁ". A abundância de siris foi batizada de "SIRIÁ".


O siriá possui um vestuário parecido com o do carimbó. As mulheres usam blusas de renda branca, saias rodadas, pulseiras, colares e enfeites coloridos na cabeça. Os homens vestem calças em tons escuros e camisas coloridas amarradas na frente. Eles também usam chapéus de palha enfeitados com flores, que as damas retiram para demonstrar alegria.



Xote bragantino


O xote é dança de origem húngara e foi trazido para Bragança pela aristocracia da época, ganhando no local novos manejos coreográficos tipicamente regionais. Conquistou peculiaridade e fama pelo jeito bragantino de ser dançado.

Trabalho escravo no século XXI no Pará.

Prof. Leonardo Castro

A escravidão, mesmo depois da abolição da escravidão em 13 de maio de 1888 através da Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel, ainda hoje é um dos males que afligem muitos brasileiros neste início de terceiro milênio. A fiscalização contra o trabalho escravo é precária e as penas pouco eficientes ou pouco aplicadas.

Trezentos anos de escravidão marcaram profundamente a história do Brasil: nossa gente, nossos hábitos, nossos costumes, nosso comportamento e o preconceito racial que persiste até os dias de hoje.

Apesar de tudo, existem em diversas regiões do Brasil denúncias da ocorrência de trabalho escravo. Hoje, não há dúvida de que a escravidão é um dos maiores crimes contra a humanidade.



A escravidão que persiste

O Brasil está entre os países em que ainda existe a peonagem ou escravidão por dívida. Aqui, trata-se basicamente de escravidão sazonal. O trabalhador é recrutado em regiões pobres, em especial entre filhos jovens de pequenos agricultores do Nordeste, sobretudo no Piauí e Maranhão, para ir trabalhar na Amazônia. Para disfarçar a escravização, a família recebe um pequeno adiantamento em dinheiro, o chamado “abono”.





Homens em regime escravo, em plantação de cacau no interior do Pará, libertados pela Policia, em pleno século XXI.



É na Amazônia Legal que ocorre 75% dos casos, em particular em Mato Grosso, no Pará e em Rondônia. Os trabalhadores são empregados sobretudo na derrubada da mata para formação de novas fazendas de gado. Ao chegar ao lugar de trabalho, o peão descobre que está endividado pelo adiantamento recebido e pelas despesas de transporte e alimentação durante a viagem, dívida que crescerá em função das despesas com alimentos e ferramentas durante o período de trabalho, cobrados a preços arbitrários. Descobrirá que o que ganha é insuficiente para pagar a dívida sempre maior. Nem pode se demitir nem fugir, vigiado dia e noite por pistoleiros, para que não deixe de pagar a dívida. É uma retenção forçada do trabalhador. A vigilância é acrescida de variadas formas de aterrorização, através da violenta punição dos que tentam escapar. Em 13% das fazendas em que houve trabalho escravo nos últimos 30 anos, houve assassinato de trabalhadores que tentaram fugir.






Escravidão no Pará: trabalhadores em regime de escravidao libertados pela policia, 2008.



Os que sobrevivem são submetidos a torturas e humilhações, para exemplo dos demais: em 1986, numa fazenda de Rondônia, trabalhadores eram surrados com vergalhões de boi, pedras amarradas nos testículos, amarrados a troncos de árvores, mãos sangrando mergulhadas em rios que tinha piranhas; em 1987, um jovem trabalhador foi queimado vivo num canavial em Mato Grosso do Sul; em 1988, no Pará, trabalhadores eram forçados a abraçar casa de marimbondos; em 1994, no Maranhão, o próprio fazendeiro decepou com facão a mão de um de seus escravos; em 1990, numa fazenda do Pará, a polícia encontrou o corpo carbonizado de um trabalhador, servido como ração aos porcos. Mais do que delitos trabalhistas, são violações graves dos direitos humanos.



Texto Complementar

Dez mil trabalhadores vivem em condições de escravidão.


O Brasil do século XXI exibe dados vergonhosos: o número de trabalhadores em condição de escravidão chega a 10 mil, concentradas no Norte e no Nordeste.

No Pará, 75 denuncias de trabalho escravo foram registrados neste ano, envolvendo mais de 3 000 pessoas, mais do que o dobro de 2001.

De 1995 a 2002, 4 900 “escravos” foram libertados pelos grupos moveis que integram o Gertraf (Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado). Desse número, 1 468 foram resgatados só neste ano.

O problema é que fazendeiros voltam a ter escravos. Em 2001, nove fazendas voltaram a escravizar trabalhadores mesmo depois da atuação do grupo móvel de fiscalização do Gertraf e, neste ano, dez fazendas.
(Fátima Fernandes e Cláudia Rolli. Folha de S. Paulo, 6 out. 2002.)

Pará: cenário atual

Prof. Leonardo Castro

O Estado do Pará, com cerca de 6.192.307 habitantes, segundo o senso de 2000, antes abandonado a sua economia tradicional, à base do simples extrativismo, hoje busca uma nova base produtiva, fundada na verticalização da produção mineral, no incremento do turismo e na exportação da agroindústria. Além disto, nos últimos dez anos, vem sendo montado no Estado a infra-estrutura necessária ao crescimento econômico desejado, seja nos transportes (rodovias, portos e aeroportos), seja na saúde ou na educação. Por quase todo o território paraense surgem grandes obras geradoras de “progresso”, que podem ter repercussão por muito tempo, pois estão causando mudanças radicais na estrutura econômica e social do Pará. Essas obras incluem a reconstrução do aeroporto em Belém, a execução da Macrodrenagem da bacia do Una, a implantação da Alça Viária, e de complexos projetos no campo cultural, educacional, do turismo e da saúde. Esses fatores estão dando à capital e ao Estado como um todo condições excepcionais para receber investimentos tanto no setor industrial quanto no de serviços.

Belém recentemente ganhou o Museu de Arte Sacra, teve a Igreja de Santo Alexandre recuperada, o Parque da Residência, a Estação das Docas e o novo estádio estadual Edgar Proença, mais conhecido como Mangueirão, que são os pontos centrais de descontração e lazer da cidade.


Projeto Energético do Pará: Tramoeste e Luz no Campo

Um dos setores estratégicos que mais recebeu atenção nos últimos anos foi o de infra-estrutura, tendo na energia elétrica um dos seus pilares. O Pará há muito tempo viveu a contradição de abrigar, em Tucuruí, a maior hidrelétrica genuinamente brasileira, e ter a quase totalidade de seus municípios dependentes de energia gerada por usinas termoelétricas, ou sem nenhuma forma de abastecimento. Dos 143 municípios, somente 47 recebiam energia até 1996. Desde então, o governo do Estado, em parceria com o Governo Federal, colocou em prática um grande projeto de eletrificação total do Pará, com investimentos de R$ 500 milhões.

Batizado de Tramoeste, o projeto leva energia a mais de 600 mil pessoas em 12 municípios e a outras 126 localidades, no Oeste do Pará. A linha de transmissão, com mais de mil quilômetros de extensão, parte da hidrelétrica de Tucuruí até o extremo oeste. Só esse linhão equivale a um investimento de R$ 246 milhões. Em Itaituba está o símbolo da grandiosidade do Tramoeste: a mais alta torre de energia elétrica instalada no Brasil, com 160 metros de altura, correspondendo a um edifício de 53 andares. É a terceira maior do mundo; a primeira está localizada na Itália e a outra na Venezuela.

O programa de eletrificação do Pará se completa com o Projeta Luz no Campo, que atende mais de 300 mil pessoas em vilas e povoados rurais. Vinculado ao Ministério de Minas e Energia e executado pela Eletrobrás, o Projeto Luz no Campo é financiado pelas concessionárias, pelos governos e pelos próprios consumidores. No Pará, o investimento é de R$ 120 milhões, financiados apenas pela Eletrobrás e pelo Programa de Investimento Social (PIS).

O Projeto Energético do Pará também interliga todo o nordeste do Pará ao sistema Bragança-Viseu. Outros dois grandes projetos são os sistemas São Felíx/Xinguara e Rio Vermelho/São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará, que tiraram mais de 50 mil pessoas da escuridão, graças a interligação entre um sistema de transmissão de 138 kW, com 250 km e investimentos de R$ 20 milhões. Entre São Geraldo e Rio Vermelho, 22 localidades, com 20 mil pessoas, também recebem energia elétrica, através de uma rede de distribuição rural de 4,5 kV, com 111 km de extensão. Na região do Marajó, a solução encontrada para a falta de energia elétrica foi a implantação de painéis solares e termelétricas.

Discute-se a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na Volta Grande do rio Xingu, sudoeste do Pará. É a mais importante e também a mais polêmica obra do governo brasileiro para enfrentar a crise energética nacional. A hidrelétrica de Belo Monte vai gerar 11 mil megawatts de energia e está orçada em US$ 6,5 bilhões. A hidrelétrica de Tucuruí, construída a quase duas décadas, custou US$ 4,6 bilhões na primeira fase, mais US$ 1,06 bilhão na segunda fase, sem levar em conta os linhões. Tucuruí, porém, produz energia em plena carga o ano inteiro. Belo Monte só poderá gerar energia com toda a sua capacidade instalada durante três meses do ano.


Eclusas, Transamazônica e Santarém-Cuiabá

Fundamentais para o desenvolvimento do Pará, as eclusas de Tucuruí e a pavimentação das rodovias BR-230 (Transamazônica) e BR-163 (Santarém-Cuiabá) é uma meta que o governo estadual e federal tem por objetivo há anos. As eclusas do Tocantins são essenciais para restabelecer a navegabilidade no rio. Com os R$ 90 milhões que é visado para se investir nas obras, o Pará recupera outro corredor de escoamento de produtos pelo Porto da Vila do Conde. A Transamazônica tem cerca de 1.572 km de extensão e atravessa todo o Pará, no sentido leste-oeste. Ao longo da rodovia, vivem mais de dois milhões de pessoas. A chamada região da Transamazônica tem um dos maiores potenciais agrícolas do Pará, mas a capacidade da produção é prejudicada por causa, principalmente, das dificuldades de escoamento. A rodovia Santarém-Cuiabá é essencial para o desenvolvimento do Oeste do Pará, por ser o canal de escoamento da produção agrícola, incluindo os grãos do Centro-Oeste, até o porto de Santarém.


Projeto Sossego

As boas perspectivas de crescimento econômico do Pará se sustentam em projetos previstos para serem implantados nos próximos anos. O Projeto Sossego permitirá ao Pará se tornar em um dos maiores produtores de cobre mundial. Sossego é o primeiro projeto de extração de cobre do Pará. Outros quatros projetos de produção do minério serão implantados pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) ainda nesta década, na província mineral de Carajás. A quantidade de cobre e o potencial existente em Carajás são suficientes para tornar o Pará em um dos maiores produtores do mundo desse minério nos próximos dez anos.

Para a implantação do projeto, a CVRD visa suprir o município de Canaã dos Carajás, onde está localizado o Sossego, de infra-estrutura, incluindo um linha de transmissão de energia de 85 km e uma rodovia de 102 km entre a área do projeto e Parauapebas. Os investimentos estimados do projeto somam quase R$ 1 bilhão.


Macrodrenagem: saneamento e urbanização de Belém

Maior obra de saneamento da América Latina, o Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una está lentamente mudando a estética e a própria história de Belém, atingindo quase 600 mil habitantes da grande capital paraense em 16 bairros. A área beneficiada se estende por mais de três mil hectares e representa 60% de toda a cidade de Belém. A Macrodrenagem é uma radical transformação na urbanização e no paisagismo da cidade. Iniciada oficialmente em 1990, somente em 1997 foi dada a contrapartida dos recursos, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). De fato, é um dos mais abrangentes projetos de urbanização da história de Belém do Pará.


Alça Viária: integração e produção.

A área do Projeto Alça Viária localiza-se na região nordeste do Estado, abrangendo a região metropolitana de Belém (municípios de Ananindeua e Marituba), e os municípios de Acará, Bujarú e Barcarena. A Alça Viária é um investimento de cerca de R$ 190 milhões, que é um dos projetos do Sistema de Integração do Pará (SIP), formado por um conjunto de rodovias e hidrovias, incluindo as eclusas de Tucuruí, que visam impulsionar o desenvolvimento do entorno de Belém e a integração definitiva de todo o Pará. Dos 143 municípios paraenses, 102 sofreram influências diretas da Alça Viária, um anel sobre os rios Moju, Acará e Guamá, integrando a região metropolitana de Belém à uma vasta área agriculturável, com 460.437 km quadrados, com as condições especiais da diversidade de seus recursos naturais e com uma infra-estrutura física bastante considerável, pois já existem portos, rodovias e energia elétrica.

Serão construídos 69 km de rodovia e 4,5 km de quatro pontes sobre os rios Guamá, Acará e Moju (este com duas). A Alça Viária também visa agilizar as viagens interestaduais, acabando com as travessias de balsa que encarecem e prolongam as viagens, dificultando a vida de quem precisa, por exemplo, se deslocar até Marabá, no sudeste do Estado. Desta forma, impulsionando a economia das diferentes regiões, a Alça Viária também ajuda a diminuir a pressão populacional sobre Belém.

A área de influência do projeto Alça Viária já é dotado de importantes investimentos, como a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, o Projeto Carajás, o Complexo Albrás-Alunorte, em Barcarena e várias empresas ligadas à agroindústria, pesca, projetos de mineração e extrativistas.

Objetivos:

1 - Integrar a região metropolitana de Belém por via de rodovias ao leste paraense sem as descontinuidades das travessias dos rios.

2 - Propiciar acesso rápido e seguro a cerca de 4 milhões de habitantes.

3 - Dar melhor aproveitamento às áreas compreendidas entre a margem do rio Guamá e as rodovias PA-475, PA-252 e PA-151.

4 - Dar acesso às reservas hídricas dos igarapés Guajará-Açu, Itapicuru e do rio Acará, assegurando o abastecimento por longo prazo de água potável à região metropolitana de Belém.

5 - Abrir uma nova frente de expansão urbana e econômica da região metropolitana de Belém contribuindo decisivamente para a transformação do Porto da Vila do Conde, num terminal de carga geral, ao qual teriam acesso navios de até 60 mil toneladas.

6 - Descongestionar as vias da capital do intenso tráfico de cargas, diminuindo o conflito entre transporte de passageiro e cargas.

7 - Redução de custos do transporte e do tempo de viagem entre o sudeste do Pará e a capital, diminuindo a dependência do transporte de balsa.


Projeto Alvorada

O Pará firmou com o governo federal, através do ministro da Saúde, José Serra (no período do governo de Fernando Henrique Cardoso), a mais importante parceria da sua história na área de saneamento. O acordo visou beneficiar 78 municípios incluídos no Projeto Alvorada, destinado à melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os municípios receberam no final de 2001 R$ 168,1 milhões. A quantia que era prevista para 2002 visava atingir 86 municípios.

O Projeto Alvorada é uma iniciativa do governo Federal, que tem o objetivo de reduzir a pobreza e as desigualdades sociais nos municípios brasileiros, através de diversos programas nas áreas de saúde, educação e geração de renda, como alfabetização de adultos, manutenção de crianças nas escolas, erradicação do trabalho infantil, implantação do sistema sanitário e de água nas escolas e nas residências das famílias carentes, e redução da mortalidade infantil, maternal e neonatal. A execução dos trabalhos no Estado é responsabilidade da Secretaria Executiva de Promoção Social e da Associação Brasileira de Recursos Humanos.

As ações do Projeto Alvorada no Pará começaram em outubro de 2000, atingindo 17 municípios, onde foram identificadas e cadastradas as famílias de baixa renda. O projeto também avaliou a situação socioeconômica de cada uma delas. Só em 2001 foram repassados ao Pará, pelo Projeto Alvorada, R$ 300 milhões, incluindo os recursos para as ações em educação fundamental e profissionalizante para jovens e adultos. O mesmo volume de recursos eram visados para serem repassados ao Estado em 2002, o que significa o maior investimento federal na melhoria da qualidade de vida já realizado no Pará.


Conclusão

A recente transformação urbana e infra-estrutural no Estado do Pará, e na região Amazônica em geral, está intimamente ligada ao processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento do sistema capitalista de produção que se processou na estrutura espacial a partir das cinco últimas décadas. Isto demonstra uma forma bem peculiar de organização do sistema capitalista: o capitalismo industrial. Este ganha força através da instalação de grandes projetos que se configuram como a nova estratégia de “aproveitamento” do espaço amazônico econômico.

Até a década de 1950 a Amazônia caracterizava-se pela incipiente estrutura produtiva desorganizada em relação as novas necessidades do capitalismo. A rede urbana regional apresentava pouca expressividade: poucas cidades com considerável índice populacional e uma infinidade de pequenas povoações dispersas, situadas geralmente, às margens dos rios. A partir da década de 60 essa situação começara a se inverter, com um considerável crescimento demográfico, novas formações urbanas e crescimento das antigas cidades, vilas e povoados. Essas transformações estão intimamente ligadas à exploração das potencialidades naturais da região, onde a função assumida pelo Estado brasileiro possui o propósito de permitir a ocupação capitalista da estrutura espacial amazônica.

A implantação de grandes projetos (agropecuários, madereiros e principalmente de extração e beneficiamento de minérios) passaram a ser o mecanismo mais importante de ocupação econômica do espaço regional. A implantação de uma infra-estrutura básica na região é devidamente destinada à materialização das vantagens favoráveis à grande empresa capitalista. A abertura de rodovias de penetração (Belém-Brasília, Santarém-Cuiabá, Transamazônica, Perimetral Norte e outras), permitiram a superação de obstáculos naturais, políticos, sociais e econômicos ligando a Amazônia à outras áreas do território nacional.

Em face da política de valorização da Amazônia, a migração de milhares de pessoas, na sua maioria pequenos produtores, vinham para tentar a sorte na “terra prometida”. Aqui, eram obrigados a procurarem os centros urbanos e vender sua força de trabalho como assalariados, ou eram absorvidas pelos grandes empreendimentos que se instalavam na região. O mercado de trabalho pouco desenvolvido contribuiu para a proliferação de atividades informais como mercearias e pequenos comércios, garimpagem e outras que acabam se apresentando como atividade de elevada importância na contenção do desemprego, não sendo, entretanto, suficiente para eliminar a pobreza ou mesmo atenuá-la.

A Guerrilha do Araguaia

Prof. Leonardo Castro


Em março de 1967, tomou posse o segundo presidente militar, o general Artur da Costa e Silva (1967-1969). Durante o seu governo, cresceu no país a reação ao regime militar, mobilizando diversos setores sociais e políticos no Brasil.


A mobilização popular de expressão contra o regime seria o movimento estudantil. Liderados por dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), que atuava na clandestinidade, os estudantes promoviam manifestações e comícios em todas as grandes cidades do país.


O auge dos protestos estudantis se deram a partir da morte do estudante paraense Edson Luís de Lima Souto assassinado pela Polícia Militar em 28 de março de 1968 durante um confronto no restaurante Calabouço, centro do Rio de Janeiro.


Em 26 de junho ocorre a Passeata dos Cem Mil, uma manifestação de protesto, em consequência da morte do estudante secundarista Edson Luís. A manifestação reuniu mais de cem mil pessoas, no centro da cidade do Rio de Janeiro.


Setores radicais de esquerda começaram a atacar o governo com ações clandestinas armadas, como assaltos a bancos, sequestro de diplomatas e atentados contra autoridades e unidades militares.


Uma das primeiras organizações a pegarem em armas contra a ditadura foi a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização revolucionária comunista brasileira de oposição ao regime militar, surgida no fim de 1967. A ALN tinha a proposta de promover a luta armada e a guerrilha como instrumento de ação política contra a ditadura militar.


Além da ALN, houve na guerrilha urbana, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), uma organização brasileira de esquerda que combateu o regime militar.




A Guerrilha do Araguaia


No campo, a mobilização guerrilheira teve sua maior expressão com a Guerrilha do Araguaia. A Guerrilha do Araguaia foi um conjunto de operações guerrilheiras ocorridas durante a década de 1970. O movimento foi organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Os integrantes do PCdoB pretendiam combater o governo militar e implementar o comunismo no Brasil, iniciando o movimento pelo campo.


Os guerrilheiros eram em sua maioria estudantes, professores e profissionais liberais. Os militantes do PcdoB começaram a chegar na região a partir do final da década de 1960. Oriundos do sul e sudeste, eram chamados de “paulistas”.


Entre eles, estavam Osvaldo Orlando Costa (o “Osvaldão”), o médico João Carlos Haas Sobrinho, a estudante de biologia da Universidade Federal Fluminense Cristina Moroni de 21 anos, Maria Célia Corrêa, 26 anos, estudante da Faculdade Nacional de Filosofia, além do ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, que foi detido pelo Exército em 1972.


Os guerrilheiros se estabeleceram em uma região onde os estados de Goiás, Pará e Maranhão faziam fronteira, às margens do rio Araguaia-Tocantins, próximo às cidades de Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás (região onde atualmente é o norte do Estado de Tocantins, também denominada como Bico do Papagaio).



Ação Guerrilheira.



Logo, procuraram se integrar às comunidades locais. Para isso, faziam seus roçados, montavam farmácias e, de acordo com suas habilidades, ajudavam em partos, faziam cirurgia e dedicavam-se a alfabetização da população local.

Os guerrilheiros criaram a ULDP (União pela Liberdade e pelos Direitos do Povo), onde discutiam as reivindicações de interesse dos moradores locais, sobretudo questões relacionadas à grilagem e repressão, estimulando a consciencia política da população e buscando apoio para a guerrilha. Também se organizaram militarmente com a formação das FORGAs (Forças Guerrilheiras do Araguaia), promovendo treinamentos e ações de guerrilha.

O Exército Brasileiro descobriu a localização do núcleo guerrilheiro em 1971 e fez três investidas contra os rebeldes. Os guerrilheiros, surpreendidos, se refugiaram armados na floresta. As operações de guerrilha iniciaram-se efetivamente em 1972, tendo oferecido resistência até março de 1974.

Em janeiro de 1975 as operações foram consideradas oficialmente encerradas com a morte ou detenção da maioria dos guerrilheiros.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Grandes Projetos: "desenvolvimento e progresso”.


Prof. Leonardo Castro


Amazônia torna-se uma região-programa


A partir da década de 1950 houve, no Brasil, a consciência de que o Pará e a Amazônia não deviam mais ficar isolados do resto do país. A Amazônia, por sua enorme riqueza natural, começou a ser cobiçada por alguns países, que defendiam a tese de que a Amazônia era um patrimônio extraordinário, não explorado, e que devia ser internacionalizada: desta forma, um conjunto de países poderia supostamente gerenciar os recursos naturais da Amazônia. É assim que o Governo Federal teve a idéia de implantar um desenvolvimento planejado para a região.

Para desenvolver a Amazônia, marcar a presença do governo federal na região e protegê-la da cobiça internacional, foi criada a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVA), em 1954. Foi a primeira experiência no país de um plano governamental visando a valorização de uma região. Com o Primeiro Plano Qüinqüenal (1955-59), o governo federal queria constituir uma economia rentável e estável na região e converter a população extrativista numa sociedade assentada em uma economia de base agrícola. O governo não cogitou, de fato, de explorar a riqueza da floresta e dos rios da Amazônia, embora este propósito estivesse no Primeiro Plano Qüinqüenal:

1 – produção de alimentos, em uma proporção pelo menos equivalente as suas necessidades de consumo;

2 – produção de matérias-primas e produtos alimentares necessários à economia nacional e que o país precisa importar;

3 – exploração das riquezas extrativistas e minerais;

4 – conversão da economia extrativista e comercial numa economia agrícola, industrial e pecuária;

5 – aperfeiçoamento dos transportes;

6 – elevação do nível de vida e da cultura política e técnica de sua população.



O plano do governo federal possuía de fato diversos equívocos. A maior riqueza da região conhecida na época eram a floresta e os rios. Mas o plano visava dominar o meio de forma agressiva, isto é, derrubar a floresta a fim de produzir a agricultura e a pecuária, após a derrubada ou a queimada da mesma. Nesse período verifica-se o desenvolvimento do setor madereiro que teve como conseqüência a derrubada de grandes extenções de mata, sem qualquer preocupação com o reflorestamento. A produção de matérias-primas estava voltada para serem exportadas, ou seja, gerando lucros no exterior. De fato, o governo federal não aprendera a lidar com a Amazônia.

Nesse período criaram-se as universidades e centros de pesquisa científica como a Universidade Federal do Pará - UFPA, a Faculdade de Ciências Agrárias do Pará - FCAP (atualmente UFRA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Estado do Pará – EMBRAPA, em Belém. Em Manaus foi criado o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA.



Os Grandes projetos


O Estado do Pará, pelo seu potencial energético e mineral, passou a ser foco de atenção. No Pará houve instalação de Grandes Projetos econômicos voltados para o mercado internacional ou destinados à produção de insumos para indústrias localizadas em outras regiões do país.

A década de 1970 no Brasil irá marcar um momento em que emerge no âmbito político e econômico brasileiro um novo padrão de desenvolvimento baseado na ocupação territorial, comandado pelo Estado e pelos Grandes Projetos, postos em ação no âmbito dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs). Isto surge inicialmente no governo do general Emilio Garrastazu Médici (1970-1974).

A estratégia de desenvolvimento do governo Médici, que buscava a recuperação econômica e a superação do subdesenvolvimento do Brasil, pretendia realizar isto através de uma política nacional que visava transformar o país em “nação desenvolvida” dentro de uma geração.



Texto e Contexto

“O objetivo síntese da política nacional é o ingresso do Brasil, até o fim do século, no mundo desenvolvido. Para isso, construir-se-á, no País, uma sociedade efetivamente desenvolvida, democrática e soberana, assegurando-se, assim, a viabilidade econômica, social e política do Brasil como grande potência.”
(SUDAM. Amazônia: política e estratégia de ocupação e desenvolvimento. Política Nacional. Belém-Pará: Sudam/Divisão de Documentação, 1973. p. 5.)


Médici foi sucedido, em 1974, pelo general Ernesto Geisel (1908-1996). O presidente Geisel, o quarto presidente da República (1974-1979) do ciclo militar, governou com dificuldades econômicas devido à crise mundial do petróleo.

Porém, Geisel optou por ampliar os programas de modernização econômica para consolidar a base industrial, energética e tecnológica do país.

Neste contexto, um conjunto de medidas começou a transformar a economia regional a fim de fomentar o tão pretendido desenvolvimento regional na Amazônia. Cria-se a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), em substituição à SPVEA, e o Banco da Amazônia (BASA), em substituição ao antigo Banco de Crédito da Amazônia. Estruturas estas subordinadas diretamente à tecnocracia dos Ministérios e à ação do poder central. Com isto pretendia-se afastar a influência do poder local no tocante à tomada de decisões; isto mais um dos exemplos do autoritarismo do regime militar imposto à região.

A ação de desenvolvimento econômico para a região amazônica adotada pelo governo Geisel e consolidada no II Plano Nacional de Desenvolvimento e no II Plano de Desenvolvimento da Amazônia destacou ênfases ao processo de desenvolvimento e modernização da economia regional, através da estrutura industrial juntamente com a preocupação da exploração dos recursos naturais. A finalidade desses planos era intensificar a integração da Amazônia na economia do país e promover a ocupação territorial e a elevação do nível de segurança na área por meio do alargamento da fronteira econômica e, com isto, realizar a manutenção de altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

De fato, a Amazônia era vista como uma região marcada negativamente pelo “rudimentarismo” de suas forças produtivas que a deixavam “à margem da evolução econômica” do país.



Texto e Contexto

Durante três séculos e meio, o eixo econômico da Amazônia se desenvolve em torno do rio, em cujas margens se instalaram as cidades e as comunidades rurais. Durante três séculos e meio, com a mentalidade dominante voltada quase exclusivamente para o extrativismo vegetal, dependendo tradicionalmente da coleta da borracha, da castanha, das madeiras, das peles de animais silvestres, a região se manteve à margem da evolução econômica brasileira.
(SUDAM. A Amazônia e seus problemas. Economia. Belém-Pará: Sudam/Divisão de Documentação, 1972. p. 16.)




Os Planos de Desenvolvimento para a região amazônica faziam parte da ideologia da ditadura militar no Brasil; uma “ideologia do desenvolvimento”. Traçaram e sustentaram as estratégias e os planos de crescimento nacional e regional marcado por uma euforia desenvolvimentista para preservar e legitimar a própria ditadura. Desempenharam um papel essencial na cantata “Brasil Grande”, “Brasil Potência”, e pela busca da manutenção do “Milagre Brasileiro”.

Em termos de realização de Grandes Projetos, os principais empreendimentos produtivos que se instalaram na região amazônica foram estes: a Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT), sobre o rio Tocantins; o da Mineração Rio do Norte (MRN), de exploração de bauxita metalúrgica, a noroeste do Estado, no município de Oriximiná; o da Albrás e Alunorte de produção de alumínio e alumina, respectivamente, localizados nas proximidades de Belém, no município de Barcarena; o Projeto de Ferro Carajás (PFC), no sudeste do Estado, no município de Parauapebas.




Algumas informações:

1 – bauxita: esta rocha é a matéria-prima para a produção de alumínio (ela é o minério que dá origem ao alumínio);

2 – celulose: matéria-prima retirada da madeira e usada na produção de papel;

3 – caulim: argila necessária para a fabricação de papel;

4 – bauxita refratária: utilizada para tijolos de alto-fornos que funcionam com temperatura superior a 1 500 graus, onde o tijolo comum não resistiria;

5 – alumina: obtida da bauxita; é a base da fabricação do alumínio;

6 – alumínio: metal utilizado na fabricação de panelas, aviões, estruturas metálicas, janelas, etc.;

7 – silício metálico: amplamente utilizado em eletrônica (chips de computadores, etc.);

8 – minério de ferro: rocha que contem uma grande proporção de ferro;

9 – ferro-gusa: ferro simples;

10 – ferro-liga: ferro aliado ao manganês; fica mais resistente que o ferro;

11 – cobre: metal muito utilizado em material elétrico;

12 – manganês: metal utilizado em ligas metálicas;



A Amazônia brasileira se insere no contexto da ideologia de desenvolvimento regional e segurança nacional do regime militar. Era um período marcado pelo autoritarismo, repressão, perseguição policial e militar, supressão de direitos constitucionais e da liberdade de expressão nos meios de comunicação mediante a adoção da censura prévia. Porém, contraditoriamente, foi um momento também marcado por uma euforia desenvolvimentista.

A construção da rodovia Transamazônica e a implantação de Grandes Projetos industriais e infra-estruturais, como a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, tinham de certa forma um estreito relacionamento; faziam parte da estratégia geopolítica militar para a região. Isto representou um processo expansionista profundamente idealizado que buscava atingir o objetivo de ocupar os “espaços vazios” da região amazônica. As conseqüências sobre o meio ambiente, a rica biodiversidade regional e seus recursos naturais, e sobre o homem, em uma região de povos e culturas diversificadas, eram vistas como parte de um projeto maior.




Projeto ALBRAS-ALUNORTE

O Projeto Albras/Alunorte localiza-se no município de Barcarena e está voltado para a produção industrial de alumínio a partir das jazidas de bauxita do rio Trombetas (município de Oriximiná, Estado do Pará).

A origem dos projetos está na descoberta da jazida de bauxita no rio Trombetas, entre as melhores do mundo. O minério encontrava-se quase na superfície. Era retirada do estéril (as rochas sem valor) com uma “drag-line”, máquina que retira 8 milhões de toneladas por ano. O início da implantação da ALBRÁS/ALUNORTE foi dirigida pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) que comunicou ao governo do Pará sobre o projeto destinado à produção de alumina e alumínio tendo como sócios empresários japoneses que investiram no projeto.




A Bauxita.

A Alumina.



Lingotes de Alumínio na Albras.

O projeto Albras/Alunorte, criado durante o período do regime militar, inserido em um contexto de busca pelo desejado desenvolvimento regional, crescimento econômico e segurança nacional, gerou (e gera) graves danos ao meio ambiente e a população existente nas proximidades deste grande empreendimento industrial.

Na região de influência do Projeto Albrás-Alunorte, nas redondezas do município de Barcarena, ocorre com freqüência danos ao meio ambiente, como os casos de poluição do rio Murucupi, situado no município de Barcarena, que geraram envenenamento em suas águas, em decorrência de poluição provocada pela Alunorte, o que atingiu diretamente o meio ambiente e pescadores e ribeirinhos e suas relações de trabalho, a pesca, já que provocou a morte de várias espécies de peixes no rio.


Área de recomposicao de rejeito da bauxita da Alunorte Na época de chuvas intensas no Pará, é comum está área transbordar e provocar poluição em sua área de influência (ver em Texto Complementar).



Projeto Ferro-Carajás.

A Serra dos Carajás, serra do estado do Pará, ficou logo famosa pela imensa riqueza mineral, principalmente ferro, cujo volume foi cubado em 5.000.000 de toneladas. Formada de rochas cristalinas, corresponde a um planalto residual que tem expressão no setor meridional dos estados do Amazonas e Pará. Os planaltos residuais da Amazônia correspondem a um agrupamento de relevos interpenetrados pela superfície pediplanada da depressão amazônica. Em 1967, ricas jazidas de ferro foram descobertas na serra dos Carajás pela Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel Corporation. A importância da descoberta originou o interesse da participação da Companhia Vale do Rio Doce, tendo sido criada, em 1970, a Amazônia Mineração S/A para desenvolver o Projeto Carajás. Outras reservas foram descobertas: cobre, manganês, bauxita, níquel, estanho e ouro. Na região, logo se deu muitos conflitos pela posse de terras.



Jornal O Globo, 07/07/1974.



O Projeto Ferro-Carajás corresponde a exploração da região, localizada no Brasil, muito significativa em termos de riquezas minerais; uma das mais importante do mundo. Abrange o sudoeste do Pará, o norte de Tocantins e o oeste do Maranhão. A área tem potencial hidrelétrico, amplas florestas e condições que permitem o reflorestamento para produção de celulose e carvão vegetal. É cortada pelos rios Tocantins, Araguaia e Xingu. Foi em 1967, ano em que foram descobertas suas riquezas minerais, que a região se tornou extremamente valiosa. Essas riquezas, estimadas em aproximadamente 20 bilhões de toneladas, consistem em jazidas de cobre, estanho, ouro, bauxita, manganês e níquel, e são passíveis de exploração por meio de tecnologia simples, o que significa baratear o custo.


O minério de ferro, extraído na mina da Serra de Carajás, era então transportado para o Maranhão. Lá fazia-se os lingotes de ferro, que são exportados pelo porto de Itaqui. E o ferro ocupava, na época do início da implantação do projeto, o terceiro lugar na pauta dos produtos de exportação do Brasil. Daí vem a importância de Carajás e da sua Estrada de Ferro Carajás; esta última construída na década de 80, uma obra de 900 km, através da floresta.



Projeto Ferro Carajás na Serra dos Carajás.




A Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT)

A Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT) foi construída pela Eletronorte no rio Tocantins, na mesorregião do Sudeste Paraense, a treze quilômetros de Tucuruí e a cerca de 350 quilômetros de Belém.



Rio Tocantins antes da formação do lago (16/06/1984). Imagem do Satélite Landsat.



Rio Tocantins após a formação do lago (22/06/1992). Imagem do Satélite Landsat.


Texto e Contexto

O Govêrno Federal procurando evitar e superar todos os pontos de estrangulamento que retardam o desenvolvimento harmônico da área amazônica envidará, no triênio 1972/74, todos os esforços no sentido de dotar o setor Energia de um complexo compatível com as reais necessidades.
(SUDAM. Plano de Desenvolvimento da Amazônia (1972-1974). Capítulo 4, Serviços Básicos. Belém-Pará, 1971. p. 65.)




O objetivo de construir a Usina de Tucuruí foi para gerar energia elétrica para atender os projetos de extração mineral e a industrialização, principalmente, ao Distrito Industrial de Alumínio em Barcarena e ao Projeto de Ferro em Carajás.





A Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Tucuruí, Pará.





A Barragem da UHE de Tucuruí no Rio Tocantins. Imagem de satélite do Google Earth.



Texto e Contexto

A construção dessa usina permitirá a criação de um pólo industrial com base na metalurgia do alumínio a partir da bauxita do rio Trombetas. Marginalmente, contribuirá para a exploração do minério de ferro da Serra dos Carajás, não somente nos aspectos relacionados à lavra, terminais e siderurgia, como, especialmente, no tocante ao transporte ferroviário, com a eletrificação da ferrovia ligando a mina a Itaqui, no Maranhão.
(SUDAM. II Plano Nacional de Desenvolvimento; programa de ação do governo para a Amazônia (1975-1979). Capítulo 7, Ação programada do Governo Federal para a Amazônia. Belém, 1976. p. 75.)



A construção de grandes empreendimentos hidrelétricos provoca muitos impactos sociais e ambientais negativos. Pode gerar a desaparição de espécies devido ao alagamento de florestas.

Movimentos migratórios de peixes podem ser interrompidos, gerando o desaparecimento de algumas espécies, o que pode atingir a relação de trabalho da população local.

Um dos impactos sociais mais negativos diz respeito ao remanejamento das populações atingidas pelo alagamento causado pelos reservatórios de barragens, pois pode implicar em perda de qualidade de vida e em ameaças à existência de vários grupos sociais.

As sociedades indígenas Parakanã, Asurini (ambos grupos Tupi) e os chamados “Gaviões da Montanha” (um grupo local dos Parkatêjê, Jê-Timbira) foram diretamente afetados com a construção e operação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí.

Esses grupos indígenas perderam parte de suas terras devido o alagamento das mesmas pelas águas do reservatório da Usina de Tucuruí. As terras desses grupos indígenas passaram a ser invadidas com freqüência, principalmente por madereiros que realizam a retirada ilegal de madeira e provocam queimadas nas florestas.

A população da região de Tucuruí também foi afetada devido ao enchimento do reservatório da Usina de Tucuruí, sendo que muitas foram remanejadas de suas casas, aproximadamente 1.500 famílias foram desabrigadas.

Arca - boletim do movimento dos desapropriados pela Eletronorte, 1983.



Aspectos administrativos e econômicos dos grandes projetos

Todos os grandes projetos foram decididos fora do Pará, a nível nacional (governo federal) e internacional (empresas multinacionais de mineração). A sociedade local pouco pôde interferir nas negociações.

Todos tratam de produção extrativa de minerais e de produção de energia elétrica e, no caso da bauxita, da primeira transformação do minério. Esses projetos todos visavam à exportação. Não há industria de transformação dos minérios em produtos manufaturados (de consumo). Não há, no caso dos minerais, empreendimento que não seja do interesse de outros países: o Pará continua a importar produtos manufaturados de ferro e alumínio. Foi o mesmo no caso da borracha e da madeira.

Todos utilizam tecnologia que faz uso intensivo de capital e poupa mão-de-obra. Assim, geram poucos empregos.

Os países estrangeiros dominam o mercado da produção, de compra e venda dos minérios, através de empresas multinacionais que operam na região no mercado internacional, controlando os preços e a própria produção.

Finalmente, parecem poucas vantagens para o Estado do Pará e os municípios da região.



Aspectos humanos dos grandes projetos

Praticamente todos os projetos provocaram uma grande mobilização de mão-de-obra durante a sua implantação. Contudo, economizaram trabalhadores na fase de funcionamento. Na fase de negociação, foram previstos 100.000 empregos na mineração e na metalurgia, mas, após a implantação foram gerados somente 2.000 pela Alunorte e Albrás e 8.000 pelo Projeto Ferro-Carajás.

Alguns projetos tiveram efeitos piores para as famílias que antes viviam em Barcarena, onde foram construídas as fábricas dos projetos metalúrgicos e na região que foi inundada pelo lago da represa de Tucuruí, provocando a desapropriação de cerca de 10.000 famílias de pequenos agricultores e o deslocamento de povos indígenas, como os Pacuruí e os Parakanã.



O surto da garimpagem

Até os anos 60, menos de 10.000 homens garimpavam no Pará. O número subiu até 150.000 nos anos 80 (a metade do país), e cerca de 400.000 no começo da década de 90. Foi a corrida de garimpeiros vindos de muitos Estados pelas rodovias.

Desde o século XVI, os portugueses tiveram grande interesse em encontrar ouro no Brasil, para isso organizando-se as entradas e bandeiras. A produção aurífera expandiu-se até 1760, quando a diminuição dos veios, a baixa tecnologia e o contrabando provocaram uma contínua decadência.

No século XIX novas tecnologias permitiram a retomada, mais modesta, da produção e no século XX descobriram-se novas reservas auríferas em outros estados, como a de Serra Pelada, no Pará.

Foi início dos anos 80 correu a notícia de ouro em Serra Pelada. Caminhões de paus-de-arara chegavam à região, principalmente do sudoeste do Maranhão, uma das regiões mais miseráveis do país. O Pará chegou a possuir mais de 800 garimpos em atividade. Em termos numéricos o Vale do Tapajós detinha a maior parte. Lá os garimpos eram flutuantes, isto é, feitos sobre balsas.




Serra Pelada, em 1982. São 80.000 garimpeiros com sacos de terra para extrair o ouro.

A extração de ouro é feita através de balsas ancoradas no meios dos rios e que servem de base para as máquinas de sucção. Estas extraem o cascalho do fundo dos rios. O trabalhador principal aí é o mergulhador. Surdez, morte por afogamento são fatos corriqueiros. Mas isto é inexpressivo se comparado com a contaminação por mercúrio.

De fato, o grande surto da garimpagem trouxe grandes conseqüências negativas para a região. O uso de mercúrio no tratamento do ouro criou uma situação nunca vivida pela região em termos de poluição química. O mercúrio causa danos renais e sobretudo neurológicos. A maioria das pessoas lesionadas por mercúrio ficavam definitivamente inválidas. A lesão neurológica é irreversível. Os peões “brabos” eram comumente usados no serviço de tratamento do ouro e, quando adoecem, são despedidos e quase sempre retornam a seu lugar de origem. As espécies animais expostas ao mercúrio produzem crias com deformidades congênitas. Os peixes de regiões contaminadas não podem ser consumidos.


Texto Complementar


Mortandade de peixes em Barcarena deixa em alerta os órgãos ambientais


O Liberal, 08/04/2003, caderno Atualidades.

O pescador Edval Moraes da Silva, 52, ergue do rio um tucunaré de quase três quilos. Em outra situação a presa daria orgulho à pescaria de qualquer ribeirinho do rio Murucupi, bairro do Laranjal, Barcarena, há 136 quilômetros de Belém. Mas o peixe que Edval mostra não lhe da orgulho, não caiu na rede nem na isca. Morreu asfixiado em um rio que agoniza por um desastre ambiental. Desde sexta-feira 4, a maré tem trazido e levado centenas de peixes mortos, principalmente tucunarés e acarás tinga, para o rio Arrozal, onde o Murucupi desagua.


Não há certeza de quando o fenômeno começou. Alguns moradores da área dizem que desde quinta-feira, 3, a água do rio, antes cristalina, vem ganhando uma coloração marrom avermelhada. Na cabeceira do rio estão localizados os esgotos da Vila dos Cabanos e da fábrica de alumínio Alunorte. Antes ainda há um lixão a céu aberto que recebe os rejeitos domésticos da cidade.



Sindicato dos Químicos encontra tubulação poluindo rio Murucupi
O Liberal, 12/04/2003, Caderno Atualidades.


Uma tubulação que sai da empresa Alunorte e expele resíduos de cor avermelhada que escoam por uma estrada até atingir a nascente do rio Murucupi foi decoberta ontem por integrantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas do Município de Barcarena. De acordo com o presidente do sindicato, Manoel Paiva, a tubulação sai de um local próximo às baias de rejeitos da Alunorte, mas não passa pela “ala 82”, local que trata os rejeitos químicos para garantir a redução de impactos ambientais.


Os representantes do Sindicato foram recebidos ontem mesmo pela gerência de meio ambiente da Alunorte, para a qual foi apresentada a amostra dos rejeitos expelidos pela tubulação. A amostra do material viscoso e de cor avermelhada com partículas sólidas foi coletada no local por Paiva, que também é estudante do terceiro ano de Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Pará (Uepa).


Segundo Paiva, a gerência ambiental da Alunorte informou desconhecer a tubulação. “Eles se comprometeram a investigar a origem da tubulação, analisar as amostras e nos apresentar os resultados em uma reunião na próxima quarta-feira”, informou. Paiva também disse estranhar o desconheicmento da empresa sobre a tubulação. “Se eles não conhecem, há alguma falha muito grave no controle da emissão de rejeitos e dos impacotos ambientais”, ressaltou.



Referência Bibliográfica

A FACE SOCIAL DOS GRANDES PROJETOS. Pará-desenvolvimento. Belém: IDESP, 1988.

BECKER, Berta. Geopolítica na Amazônia: a nova fronteira de recursos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1982.

CARDOSO, Fernando H. e MULLER, G. Amazônia: expansão do capitalismo. São Paulo: Ed. Brasil, 1977.

PINTO, Lúcio Flavio. Carajás, o ataque ao coração da Amazônia. Rio de Janeiro: Ed. Marco Zero, 1982.

PROST, Gérard. História do Pará: do período da borracha aos dias atuais. Volume II. Belém: Secretaria de Estado de Educação, 1998.